Argentinos organizam maior panelaço dos últimos 10 anos
A Argentina assistiu nessa quinta-feira o maior panelaço dos últimos dez anos. A manifestação foi realizada em protesto contra medidas econômicas do governo, que estão freando o consumo. A população saiu às ruas nas principais cidades do país.
Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
Nas principais esquinas das maiores cidades do país, milhares de pessoas de todas as idades manifestaram-se contra o governo num protesto que surpreendeu por seu tamanho. Em cada janela, pelas ruas ou nas praças, panelas, buzinas e palavras de ordem ecoavam um som ensurdecedor para, segundo a população, “tentar acabar com a surdez da presidente Cristina Kirchner”.
Em Buenos Aires, uma multidão marchou até a Praça de Maio num movimento só visto antes nos históricos panelaços de 11 anos atrás, que derrubaram dois governos. E para que não houvesse dúvida de o protesto chegar aos ouvidos da presidente, milhares de pessoas cercaram a residência presidencial de Olivos. “Pela Liberdade do cidadão e em defesa da Constituição Nacional”, “Basta de violência”, “Chega de corrupção” e “Vai acabar a ditadura dos Kirchner”, eram algumas das frases que podiam ser lidas nas faixas.
Analistas políticos não duvidaram em classificar o protesto como o mais importante dos últimos 9 anos, desde que os Kirchner chegaram ao poder. Foi um protesto sem líderes partidários. Uma convocação espontânea, nascida e multiplicada pelas redes sociais, correios eletrônicos e mensagens de texto.
Os argentinos têm convivido com uma perda crescente das liberdades. O governo tem barrado as importações e tem havido falta de abastecimento de produtos. As fronteiras também estão cada vez mais fechadas para quem quer viajar ao exterior. Está praticamente proibido adquirir moeda estrangeira e compras no exterior estão sob a mira do governo. A Receita Federal argentina (AFIP) tem sido usada como polícia disciplinadora, perseguindo os que criticam o poder. Enquanto os casos de corrupção e de violência multiplicam-se, o governo tem traçado uma estratégia para modificar a constituição e habilitar um terceiro mandato para Cristina Kirchner.

Delicious
Digg
Facebook
Twitter
Orkut
Yahoo!
Technorati







Comentários
Comente este artigo