Índia autoriza Brasil a consultar documentos da compra do Rafale
O Brasil terá acesso à documentação básica utilizada na compra dos 126 caças Rafale feita pela Índia. A decisão foi anunciada durante a visita do ministro da Defesa, Celso Amorim, que acaba de encerrar uma viagem de três dias e meio ao país, para incrementar a parceria bilateral no setor da defesa.
O Rafale continua no páreo para vencer a licitação de renovação da frota da FAB (Força Aérea Brasileira), que prevê a compra de 36 aviões. Durante a visita do ministro Celso Amorim à Índia, que terminou nesta quinta-feira, o governo indiano sinalizou a possibilidade de dar acesso ao Brasil à documentação básica usada na compra dos caças da empresa francesa Dassault, respeitando, naturalmente, as cláusulas de confidencialidade que envolvem o negócio.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela RFI, o país tomará conhecimento dos requisitos utilizados no processo. No país, o caça disputa a licitação com o Gripen, da sueca Saab, e o F-18 Super Hornet, da Boeing. O governo já declarou que a transferência de tecnologia, concedida aos indianos pela Dassault, é fundamental. A consulta aos documentos do governo indiano não se trata, entretanto, de um pré-anúncio do vencedor. O processo ainda está em curso, e depende da decisão da presidente Dilma Rousseff, mas conhecer as bases do acordo fechado com os indianos vai facilitar a escolha do Brasil, acredita o governo. Tanto que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, integraram a comitiva do ministro e participaram de encontros paralelos com oficiais indianos.
As propostas da França feita ao Brasil para a compra dos caças datam de 2009. Na avaliação do especialista em defesa Nelson During, seria necessária uma atualização, já que os três projetos (Gripen, F-18 e Rafale) evoluíram nos últimos anos. "Ter acesso aos processos da Índia que são mais atuais, que foram discutidos recentemente, seria uma maneira de encurtar nosso processo, sem ter que reabri-lo, mesmo que o contrato indiano seja muito maior". Além dos 126 caças anunciados, a Índia deverá adquirir outros 70, além da produção local.
Cooperação militar
A viagem do ministro do Celso Amorim mostra o interesse dos brasileiros em incrementar a cooperação com o país no setor da Defesa. O ministro teve três encontros com o ministro indiano da Defesa, A.K. Antony, e também se reuniu com o assessor da segurança nacional, Shankar Menon, além do premiê Manmoham Singh. Ele também entregou uma carta da presidente Dilma Rousseff, reiterando a intenção do país de aprofundar a cooperação bilateral entre os dois países.
Amorim também visitou a sede da HAL (Hindustan Aeronautics Limited), empresa indiana que produz helicópteros e aviões de combate, e está produzindo um caça indiano. O Brasil também está interessado no desenvolvimento de um avião radar, para patrulhamento da costa. Também há a possibilidade futura de fechamento de novos contratos de venda do avião Embraer 145 – a Índia já possui três aviões. O governo indiano também teria interesse na tecnologia brasileira de catalogação de equipamentos militares. O ministro Celso Amorim volta ao Brasil nesta sexta-feira. Ele está de passagem pelo Marrocos, onde teria encontros bilaterais, que foram cancelados em razão de um reunião de emergência em Brasília.

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