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Artigo publicado em 20 de Julho de 2012 - Atualizado em 20 de Julho de 2012

Brasil retira diplomatas, mas mantém embaixada na Síria aberta

Ministro da Defesa sírio, morto na quarta-feira, é enterrado nesta sexta.
Ministro da Defesa sírio, morto na quarta-feira, é enterrado nesta sexta.
REUTERS/Khaled al-Hariri

Lúcia Müzell

Os diplomatas da embaixada brasileira na Síria foram retirados nesta sexta-feira do país devido à insegurança, mas a representação diplomática continuará aberta, esclareceu o Itamaraty. O embaixador Edgard Antonio Casciano foi levado para Beirute, no Líbano, onde vai permanecer “até as condições não trazerem mais riscos de vida” aos funcionários, conforme uma fonte do Ministério das Relações Exteriores.

A transferência ocorreu nesta manhã, por terra. Um comboio de veículos levou o embaixador, um secretário diplomático e quatro funcionários da embaixada do Brasil em Damasco, além de familiares deles. A decisão foi tomada na noite de ontem e aplicada hoje. O percurso até a capital libanesa durou cerca de duas horas e só foi interrompido na fronteira, de acordo com a fonte, onde os brasileiros não tiveram problemas para passar.

A Síria vive um aprofundamento da violência desde quarta-feira, quando opositores ao presidente Bashar al-Assad conseguiram atingir um prédio do governo e matar cinco membros de alto escalão do regime. Desde então, Brasília avaliava retirar seus diplomatas da cidade. Um número reduzido de funcionários, todos sírios, vai permanecer na embaixada brasileira para prestar informações e serviços.

Damasco não foi avisada sobre a saída do embaixador brasileiro do país, “para não comprometer o sigilo e a segurança da operação”, afirmou a fonte. “Casciano vai continuar sendo embaixador, mas a partir de Beirute”, precisou.

O detalhe é importante por deixar claro que a partida não significa abalo nas relações entre Damasco e Brasília, ao contrário do que fizeram outros países, como a França, que mantém sua embaixada na Síria fechada desde março para protestar contra a violência do regime sobre a oposição. Diversos países, pricipalmente europeus, já fecharam as suas embaixadas e consulados em Damasco por essa razão.

Até o ano passado, havia cerca de 3 mil brasileiros morando na Síria, mas o Itamaraty não sabe quantos permanecem no país desde a intensificação do conflito entre as tropas de al-Assad e os opositores que pedem a sua saída do poder. Os brasileiros não precisam informar as autoridades consulares sobre a decisão de partir. A chancelaria informa apenas que o número de pedidos de vistos para o Brasil aumentou pelo menos 50% no último ano.

tags: Brasil - Crise - Diplomacia - Guerra - Síria - Violência
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