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Artigo publicado em 17 de Setembro de 2012 - Atualizado em 17 de Setembro de 2012

Le Monde analisa racismo no Brasil

Obra do Museu do Imigrante em São Paulo.
Obra do Museu do Imigrante em São Paulo.
Flickr/ Elton Melo

RFI

Em seu caderno de cultura e ideias do final de semana, o jornal Le Monde dedica duas páginas ao racismo no Brasil. "O país apresenta a imagem, enganadora, de uma sociedade tão mestiça que a cor da pele não conta. A ponto de se esquecer de que foi a nação mais escravagista da América. Mas as discriminações contra os negros - escola, universidade, trabalho - são tamanha hoje em dia que o país adotou cotas", escreve o correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Nicolas Bourcier.

O texto lembra que os trabalhos arqueológicos no local onde se encontrava o cais do Valongo, ponto de chegada dos escravos na virada do século 19, coloca em evidência a amplidão do comércio negreiro no Brasil: do século 16 ao século 19, 4 milhões de escravos desembarcaram no país, dez vezes mais que a quantidade enviada aos Estados Unidos.

O jornal cita Joaquim Barbosa, o primeiro juiz negro nomeado para o Supremo Tribunal Federal. O magistrado diz que "o racismo no Brasil é mascarado, sutil, expresso de maneira velada, subestimado pela mídia. Mesmo assim é extremamente violento".

O jornalista de Le Monde explica que o Brasil tentou durante anos apagar seu passado escravagista. Da estratégia do governo de clarear a população graças à imigração maciça de trabalhadores europeus ao mito da democracia racial, o texto reconstitui várias fases da questão racial na sociedade brasileira.

O texto conclui dizendo que agora a mentalidade dos brasileiros está mudando. Um símbolo forte disso foi o debate sobre a discriminação positiva e a adoção do sistema de cotas para negros na universidade pública.

tags: Brasil - Le Monde - Racismo
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Comentários (1)

Acho que o problema não está

Acho que o problema não está no presente, mas uma inercia decorrente do que ocorreu em um passado "recente" (1888). Tenho 27 anos, minha avó tem 89 anos e é extremamente racista. No Brasil não vejo uma segregação racial como vejo aqui na Africa do Sul (atualmente moro em Johannesburg), mas sim social. Uma boa parte dos negros está numa camada social inferior justamente em decorrência dessa inércia.

Essas políticas afirmacionistas de quotas baseadas na classe social, acredito serem positivas. A uma primeira vista as políticas afirmacionistas baseadas em raça, parecem absurdas, mas se formos olhar estatísticas e o impacto que o fato de pertencer a outra raça exerce na hora de conseguir acesso aos bens, pode até fazer sentido de forma temporária.

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