Israel/Brasil - 
Artigo publicado em 14 de Outubro de 2012 - Atualizado em 14 de Outubro de 2012

Israel pede que Brasil cesse diálogo com Irã

O chanceler brasileiro Antonio Patriota durante cerimônia no Museu do Holocausto, em Jerusalém
O chanceler brasileiro Antonio Patriota durante cerimônia no Museu do Holocausto, em Jerusalém
Foto: Reuters

RFI

O presidente israelense Shimon Peres pediu neste domingo ao governo brasileiro que boicotasse o Irã, de acordo com um comunicado divulgado logo após o encontro com ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota. Em visita oficial ao país, o chanceler brasileiro iniciou hoje um giro na região, e nesta segunda-feira estará em Ramallah, na Cisjordânia, onde se reunirá com líderes da ANP (Autoridade Nacional Palestina).

De acordo com o texto do comunicado, divulgado pela presidência israelense, o país espera que "o Brasil boicote a partir de agora todos os eventuais encontros com o Ahmadinejad." Uma pressão inesperada para o Brasil, que defende o diálogo em todos os conflitos internacionais, inclusive com os iranianos.

Os israelenses nunca esconderam o descontentamento em relação ao acordo de Teerã, assinado em 2010 pelo então presidente Lula e o premiê turco Recep Tayyip Erdogan, que nunca foi colocado em prática. O documento, inspirado na proposta da comunidade internacional, previa a troca, em território turco, de 1200 quilos de urânio iraniano, enriquecido a 3,5%, contra 120 quilos de urânio a 20% de teor. O material seria fornecido pelas grandes potências ao Irã para abastecer seu reator científico.

Na época, Israel criticou o acordo, que não foi considerado legítimo pelas grandes potências, estimando que ele "complicaria de maneira radical" a adoção de sanções contra o Irã.  "Quando nos encontramos em 2010, disse ao presidente Lula que negociar com Ahmadinejad era um erro, já que se trata de um dirigente que ameaça um povo de destruição, nega o Holocausto e financia o terrorismo internacional", disse Peres a Patriota.

Israel não exclui ataque ao Irã, reafirma Peres a Patriota

Israel é considerado como única potência nuclear da região, mas nunca assumiu possuir a bomba atômica, mesmo sem ser signatário do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear). O governo israelense vê o programa nuclear iraniano como uma ameaça e não exclui um ataque contra as usinas iranianas, mesmo sem o apoio dos Estados Unidos, reticente a qualquer ofensiva na região.

"O Irã está desenvolvendo armas nucleares e isso é uma grande ameaça para toda a região”, declarou o presidente israelense, que mais uma vez citou uma intervenção militar como uma opção possível. "Todas as opções devem ser consideradas, nós preferimos resolver o problema negociando ou através de sanções econômicas, mas se não der certo, a opção militar é séria e crível", estimou.

Para o chanceler brasileiro, as ameaças de ataque a Israel são "preocupantes", e as consequências potenciais são "perigosas para a estabilidade do Oriente Médio." A visita do ministro ao país, além de reforçar as parcerias bilaterais, visa contribuir para o processo de paz entre Israel e a Palestina, que está congelado desde que os israelenses colocaram um fim na moratória parcial na construção de novos conjuntos habitacionais nos territórios ocupados, em setembro de 2010.
 

tags: Antonio Patriota - Arsenal Nuclear - Brasil - Cisjordânia - Irão - Israel
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Comentários (3)

Diplomacia brasileira sempre errada.

Primeiro que Israel não respeita ninguém porque tem as asas americanas se acha um pais fora do normal e são realmente, e o único pais do mundo em que as forças armadas tem um nação,e so ver todas atrocidade cometidas contra os palestinos, Limitação de alimento por caloria, invasão de terras, prisão de crianças e pessoas sem jugamento e corte internacionais.
Israel e a democracia Hipócrita do domínio do terrorismo da falta de respeito com o mundo.
Como pode o Brasil falar tanto em Humanismo em Onu e ter uma postura totalmente controlada pelo americanos e israelense.
Política Brasileira e pra inglês ver, Deveria deixar Israel totalmente isolado perante o Brasil,Principalmente empresa israelense atuando no Brasil em areas chaves como defesa e vergonhoso isso.
Depois falam em autonomia tecnologia se juntando a ratos como os israelense não chegaremos a lugar algum.

Prepotência ou Violência O

Prepotência ou Violência

O planeta Terra continua girando, sem parar, depois de constituído por mais de 190 Nações em busca de harmonia e paz para a Humanidade que no decorrer da história tem sido dilacerada pelas guerras resultantes da ação dos poderosos e prepotentes.
A complexidade desta situação está caracterizada, atualmente com as declarações do primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, segundo as
quais ele manda, acintosamente,o Brasil calar a boca diante do que tem sido afirmado sobre a situação do Irã no caso de sua atuação com a energia atômica.
Desse modo, Peres está querendo fazer com que o Brasil seja subordinado à política de prepotência adotada por Israel,simplesmente porque a Palestina como sua adversária tem sido apoiada pela maioria dos brasileiros, sem haver oposição aos israelitas.
Portanto, o governo de Israel deveria ficar no seu devido lugar respeitando o governo brasileiro e considerando que somos uma democracia com a nossa liberdade perante o mundo, sem pretendermos negar os nossos direitos no plano internacional - perante as Nações Unidas.

É maniqueísmo do poder laico israelita.

Ola amigos da RFI, um anônimo levantou uma questão significativa quanto a prepotência do governo de Israel, fazendo-me lembrar Carl Schmitt e sua teoria dos valores, onde esse filósofo afirma que: " O valor maior tem o direito e até mesmo o dever de submeter o valor inferior...", e ele diz mais ao citar um discurso de Hitler em novembro de 1938, no qual reiteradas vezes citava o termo VALOR ( do alemão é claro ). Assim, como posto pelo primeiro-ministro Peres, os israelenses teriam prerrogativas de valores morais superiores aos demais povos daí se dar ao direito de se impor e com o aval de uma comunidade européia impotente.

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