Brasil/Palestina - 
Artigo publicado em 15 de Outubro de 2012 - Atualizado em 15 de Outubro de 2012

Chanceler brasileiro se reúne com autoridades palestinas na Palestina

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antônio Patriota (e), e o chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante encontro nessa segunda-feira, na Cisjordânia.
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antônio Patriota (e), e o chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante encontro nessa segunda-feira, na Cisjordânia.
REUTERS/Mohamad Torokman

RFI

Depois de se encontrar com os líderes israelenses nesse fim de semana, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, visitou a Cisjordânia nessa segunda-feira. Em sua primeira viagem oficial a região, o representante de Brasília se reuniu com vários responsáveis locais, entre eles o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Além das negociações de paz entre israelenses e palestinos, o chanceler também discutiu temas ligados à cooperação tecnológica, educacional e econômica.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

Foi um dia puxado para a delegação que acompanha o ministro brasileiro das Relações Exteriores Antonio Patriota, em sua primeira visita oficial à Palestina. Patriota foi recebido pela mais alta cúpula do governo palestino, numa maratona de reuniões por toda Ramallah, capital administrativa da Cisjordânia. Em todos os encontros, o chanceler ouviu que os palestinos confiam e contam com os esforços brasileiros para a criação de um Estado Nacional. No dia 15 de novembro, os palestinos devem pedir a Assembleia Geral da ONU que eleve o status de sua delegação no organismo, depois que o reconhecimento da Palestina foi descartado no ano passado pelo Conselho de Segurança, no qual os Estados Unidos têm poder de veto.

“A visita de Patriota é muito importante. O fato de que ela seja realizada semanas antes de mais esse apelo palestino à ONU é uma boa oportunidade para que mostremos nossa seriedade no caminho para a independência”, disse Saeb Erekat, negociador-chefe da Organização para Libertação da Palestina, momentos antes de se reunir com Patriota. “O Brasil sabe que não vamos à ONU para deslegitimar Israel. E nos tornamos um país ao lado de Israel, como o Brasil sempre defendeu”, afirmou.

Antônio Patriota, ministro brasileiro das Relações Exteriores
 
14/10/2012
 
 

Patriota também se encontrou com o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas na Mukata, o quartel-general do governo palestino, que serviu também como residência do ex-presidente Yasser Arafat. Ele aproveitou para colocar uma coroa de flores no mausoléu de Arafat, que fica no local. A entrada principal da Mukata, aliás, fica na Rua Brazil, inaugurada durante a visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

O chanceler brasileiro também se encontrou com seu colega palestino, Riad Malki, que agradeceu pelo reconhecimento brasileiro da Palestina, num dos últimos atos do ex-presidente Lula, no final de 2010. A decisão brasileira – criticada pelo governo israelense – impulsionou uma série de reconhecimentos de países da América Latina e de outras regiões.

No domingo Patriota se encontrou com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em Jerusalém, com o presidente Shimon Peres e com outras autoridades, como o ministro da Ciência e Tecnologia, Daniel Hershkovitz, e do ministro da Inteligência e Energia Atômica, Dan Meridor.

Visita num momento delicado

No campo político, um dos objetivos da viagem ao Oriente Médio – que começou na sexta-feira e termina nessa segunda-feira – é ver de perto os avanços das negociações de paz entre israelenses e palestinos, congelada há quase 4 anos. Nesse sentido, Patriota chegou num momento de encruzilhada política, já que, na semana passada, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu convocou eleições gerais antecipadas para daqui a 3 meses, o que pode mudar toda a dinâmica do relacionamento com o governo palestino.

Mas a viagem também incluiu assuntos relacionados à cooperação tecnológica, educacional e econômica tanto com Israel quanto com a Palestina. O Brasil quer aumentar o fluxo comercial com a região, principalmente depois que foram firmados, nos últimos dois anos, acordos de livre-comércio entre o Mercosul, Israel a Palestina.

O balanço comercial com Israel favorece o Brasil e cresceu muito na última década, superando US$ 1,4 bilhão em 2011, 215% a mais do que 2002. Mas o governo brasileiro acredita que pode crescer ainda mais. No caso da Palestina, o intercâmbio comercial foi de US$ 10,6 milhões no primeiro semestre de 2012, apontando para um aumento sobre os US$ 15,8 de todo o ano de 2011.

tags: Antonio Patriota - Autoridade Palestina - Brasil - Israel - Mahmoud Abbas - Palestina
Mais notícias sobre o mesmo assunto
Comentários
Comente este artigo
O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
To prevent automated spam submissions leave this field empty.
CAPTCHA
Esta pergunta serve para diferenciação entre computadores e humanos contra os ataques de spams. Automated spam submissions.
Close