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Artigo publicado em 16 de Outubro de 2012 - Atualizado em 16 de Outubro de 2012

Brasil vai negociar aceitação da Palestina como Estado Observador da ONU

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota perante o túmulo do histórico líder palestino Yasser Arafat
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota perante o túmulo do histórico líder palestino Yasser Arafat
REUTERS/Mohamad Torokman

RFI

O Brasil vai ajudar a formular o pedido de elevação do status da Palestina na Assembleia Geral da ONU, que deve ser votado nas Nações Unidas no dia 15 de novembro. A declaração foi feita pelo chanceler brasileiro Antonio Patriota que encerrou ontem uma visita a Israel e aos territórios palestinos. Segundo o ministro, vários países estão unidos em torno da Palestina.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Jerusalém.

Há um ano, a votação pelo reconhecimento da Palestina como Estado-membro da ONU foi descartada pelo Conselho de Segurança, com o veto dos Estados Unidos. Este ano, os palestinos vão propor a elevação de seu status na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde contam, segundo especialistas, com mais de 120 votos.

Em Ramallah, Antonio Patriota explicou que o Brasil não vai apenas votar em favor da elevação da Palestina a “observador não-membro” da Assembleia Geral. Segundo o ministro brasileiro das Relações Exteriores, o Brasil deve ser um dos países a apresentar a resolução que transformará isso em realidade.

Antônio Patriota, ministro brasileiro das Relações Exteriores
 
16/10/2012
 
 
 
“Dentro do mundo em desenvolvimento existe um apoio significativo, mas as áreas onde os palestinos precisam mais pedir apoio é a União Europeia.”
 

O chanceler brasileiro passou o dia de ontem em intensos encontros com a alta cúpula do governo palestino em Ramallah, na Cisjordânia. Ele escutou, tanto do presidente Mahmoud Abbas quanto do ministro do Exterior, Riad Malki, que os palestinos esperam um maior engajamento do Brasil na criação de um Estado nacional.

Patriota também se reuniu com representantes do Fórum de ONGs pela Paz, formado por 120 grupos de direitos humanos palestinos e israelenses. Antes do encontro, o ativista israelense Meir Margalit criticou a recente iniciativa brasileira de buscar um diálogo entre as comunidades judaica e árabe no Brasil, que considera insuficiente e lenta diante da urgência da questão palestina. O ativista disse temer que “se algo urgente não for feito imediatamente, a Autoridade Palestina vai entrar em colapso de um momento a outro.”

No final do dia, Patriota fez um balanço da visita iniciada na sexta-feira e que incluiu também encontros com a cúpula política israelense. Ele se disse encorajado pela motivação de líderes e ativistas do país que buscam a paz com os palestinos. Mas admitiu que ficou frustrado com algumas posições de membros do governo israelense.

Antônio Patriota, ministro brasileiro das Relações Exteriores
 
16/10/2012
 
 
 
“Houve momentos em que me senti desencorajado porque são atitudes de rigidez mental, de falta de sensibilidade ao sofrimento alheio, falta de disposição política para acionar um processo que produza resultados no curto prazo. Isso me frustou.”


 

Nesta terça-feira, o ministro brasileiro das Relações Exteriores viaja para a Jordânia, última escala de seu giro de cinco dias pelo Oriente Médio. Em Amã, Patriota será recebido pelo Rei Abdullah e pelo chanceler Nasser Judeh.
 

tags: Antonio Patriota - Autoridade Palestina - Brasil - Israel - ONU
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