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Artigo publicado em 08 de Agosto de 2012 - Atualizado em 08 de Agosto de 2012

Funcionários da Cinecittà mantêm greve contra projeto da direção

Os estúdios Cinnecità podem ser transformados em um parque de atrações
Os estúdios Cinnecità podem ser transformados em um parque de atrações
Flickr/sapiamaia

RFI

Dezenas de funcionários dos estúdios de Cinecittà, em Roma, continuam em greve para protestar contra a terceirização dos serviços e o projeto de construção no local de um parque de atrações, um hotel e um restaurante. Uma iniciativa que suscita a revolta de cineastas do mundo inteiro. Na França, uma petição chegou a ser lançada pedindo o cancelamento do projeto.

Construídos em 1937 a pedido do ex-ditador facista Benito Mussolini, para competir com os estúdios de Hollywood, a Cinecittà abrigou produções de Fellini, Visconti, Comencini e Lattuada, obras primas como ‘Ben Hur’ e ‘Cleópatra’, e filmes mais recentes, como ‘Gangs de New York’, de Martin Scorsese. A direção defende o projeto, justificando que a mundialização do mercado impõe a modernização da empresa. Uma tese refutada pelos engenheiros de som, figurinistas e cenaristas, que há décadas participam da produção de longas famosos.

Para protestar contra o projeto, muitos estão acampados há mais de 40 dias no teto do complexo cinematográfico para pressionar a direção. É o caso de Fabrizio, que prefere manter seu sobrenome em segredo, chefe de manutenção dos estúdios. ‘’Este é o início do desmantelamento da Cinecittà. Nossos cenógrafos, técnicos e arquitetos, reconhecidos no mundo inteiro, terão que ir para outras empresas. A Itália perderá um símbolo de sua história e tudo isso por conta de um projeto imobiliário especulativo. O verdadeiro problema é que a Itália se transformou em um país pobre culturalmente, e esse país precisa de cultura. Cinecittà é cultura’’, declarou.

Cerca de oito hectares dos estúdios serão utilizados para a implantação do complexo turístico. Para os grevistas, a crise econômica é uma ‘desculpa’ para justificar o projeto,u ma tese considerada como ‘absurda’ pelo chefe dos estúdios da Cinecittà, Luigi Abette, que também é presidente do BNL (Banco Nacional do Trabalho), um dos mais importantes da Itália. Ele adquiriu os estúdios nos anos 90, logo depois de sua privatização. ‘’Se queremos continuar o mercado para atrair produções internacionais, temos que desenvolver nosso serviços, como os outros estúdios’’, declarou Abette em uma entrevista recente.

O engenheiro de som Vieri Martelli critica a mudança ocorrida nos últimos anos, privilegiando a produção de novelas e séries de TV. O cinema, segundo ele, vem sendo preterido principalmente por conta do alto custo que envolve as produções. ‘’Com algumas modificações, poderíamos voltar a ser competitivos. Mas para isso, precisamos de, um chefe que adore cinema”, explica.

Petição na França

Para protestar contra o projeto na Cinecittà, a ARP, organismo francês que reúne autores, diretores e produtores, lançou uma petição on-line em julho pedindo que os estúdios sejam preservados. Segundo o texto, a Cinecittà é considerada como ‘parte do patrimônio cinematográfico mundial’ e deve ser preservada. O documento já foi assinado por Claude Lelouch, Costa-Gavras, Michel Hazanavicius, Cédric Klapisch et Coline Serreau.
 

tags: Cinema - França - Itália - Roma
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