Revoltada com agências de notação, UE quer criar sua própria entidade
Nas páginas de economia dos jornais franceses desta quinta-feira, o principal assunto é a reação indignada de líderes europeus com o rebaixamento da nota da dívida de Portugal pela agência de notação Moody's. Os dirigentes reclamam com vigor do comportamento irresponsável das agências de classificação de risco.
Na reportagem do Le Figaro, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, chama o anúncio de "um soco no estômago", e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, diz que um elemento especulativo foi acrescentado a uma situação que já é complicada". O jornal ouviu a análise de um banqueiro francês, que julga a decisão da Moody's de "excessiva". Ele explica que a situação da economia de Portugal se manteve e não piorou nos últimos três meses, data da última avaliação da agência de notação, quando a nota do país foi mantida.
O jornal La Tribune radicaliza ao lançar a pergunta: "será preciso queimar as agências de notação?". A chanceler Angela Merkel propõe que a Europa crie a sua própria agência e afirma que tem mais confiança nas avaliações do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central do que das agências de notação.
A reportagem do Libération compara o anúncio da Moody's a um alarme de incêndio. "Mesmo que haja apenas um pequeno foco de fogo, se o alerta é acionado, o pânico se instala e todo mundo corre para a saída. É para evitar este tipo de reação que a coisa esquentou entre os responsáveis políticos da zona do euro e os analistas das finanças mundiais", escreve o Libération.
O Les Echos informa que a Comissão Europeia quer discutir com o FMI a possibilidade de suspender as divulgações de notas de países que estão em pleno processo de ajuda financeira internacional. A comissão pede ainda regras mais claras para dar mais transparência às agências.

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