10 de Julho de 2012
Com vistas a reformas, Hollande estreita diálogo com sindicatos
O presidente francês, François Hollande, durante a abertura da conferência social entre governo, sindicato e patrões, nesta segunda-feira, em Paris.
O presidente francês, François Hollande, durante a abertura da conferência social entre governo, sindicato e patrões, nesta segunda-feira, em Paris.
REUTERS/Martin Bureau/Pool
Lúcia Müzell

O governo francês chamou os sindicatos e as organizações patronais para debater, ontem e hoje, o modelo social francês. Do acesso à saúde e à aposentadoria, passando pelo custo do trabalho e a diminuição do desemprego, a pauta é ampla e muita vezes difícil de abordar, mas o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault prometeu que nenhum assunto seria tabu.

Em um dos país mais fechados a reformas que mexam nos direitos sociais e trabalhistas, mas ao mesmo tempo tocado profundamente pela crise econômica, a conferência vai servir de termômetro da margem de negociação que o governo do presidente socialista François Hollande vai ter com os sindicatos ao longo do seu mandato.

O chefe de Estado sabe que se a França continuar com índices medíocres de crescimento, vai ser uma equação cada vez mais complicada retomar a competitividade em relação a outros países sem tocar nos custos do trabalho. A mão de obra francesa é uma das mais caras da Europa, só perdendo para os países nórdicos. Em comparação com outras grandes economias europeias, a hora de trabalho custa em média 34,2 euros na França, contra 30,1 euros na Alemanha e 20,1 euros no Reino Unido.

O economista Eric Heyer, do Observatório Francês de Conjuntura Econômica, avalia que "o X da questão para o governo é mostrar que há reformas justas a serem feitas". "É preciso mostrar que não serão sempre as mesmas pessoas que vão precisar fazer sacrifícios, afinal na França é muito frequente de a classe média ser a penalizada, quando se fala em reformas. Na realidade este esforço coletivo pode ser repartido entre toda a população", disse.

Na visão de Francis Kramarz, um reconhecido especialista no mercado de trabalho e professor da Escola Polytechnique, baixar os custos das contribuições sociais para as empresas é a maior estratégia para retomar o dinamismo e aumentar os postos de trabalho. Ele lembra que, por mais estranho que pareça, na França a esquerda sempre conseguiu mais avanços do que a direita nestes quesitos. "No passado, foi a esquerda quem se confrontou aos desafios mais do que a direita. Há trabalhos empíricos, de pesquisa, que mostram isso."

Um grande desafio é aumentar os postos de trabalho em um momento em que a economia do país está praticamente estagnada. Mas Kramarz destaca que há, sim, soluções, e a primeira delas poderia ser liberalizar dezenas de profissões no país, alvo de regulamentações restritas demais. "Há diversos setores de serviços que são enrolados e protegidos demais pelos dirigentes de classe, mas onde poderíamos criar muitos empregos. Há regulamentação excessiva", constatou.

 

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