17 de Julho de 2012
Consumo interno deve ser aposta da China para recuperar PIB
Chineses compram legumes no mercado central de Pequim, em foto do dia 9 de julho.
Chineses compram legumes no mercado central de Pequim, em foto do dia 9 de julho.
REUTERS/Jason Lee
Lúcia Müzell

A notícia de que a China registrou a pior taxa de crescimento dos últimos três anos fez não apenas as autoridades do país virem a público acalmar temores de crise no gigante asiático como levou o mundo inteiro a se preocupar com uma eventual queda das importação chinesas nos próximos meses. Mas como uma taxa de 7,6% de aumento do PIB está longe de ser ruim, analistas esperam que, ao invés de parar de importar, o que deve vir pela frente são medidas de estímulo ao consumo interno para reagir à queda do PIB.

A diretora do Instituto de Pesquisas sobre a Economia da China na Universidade de Clermont-Ferrand, Marie-Françoise Renard, explica quais são as cartas que o governo do país têm nas mãos para reverter a situação. "Antes de mais nada, a economia chinesa têm recursos financeiros importantes, ou seja, têm meios de adotar medidas de estímulo à economia que sejam necessárias. Em primeiro plano, podemos prever que virão medidas de incentivo ao consumo, porque um dos problemas da economia chinesa é o desequilíbrio entre consumo e investimentos. Também devem vir medidas de incentivo às empresas privadas, principalmente pequenas e médias", disse. "A queda na atividade atualmente resulta, é claro, da crise nos país ocidentais, do enfraquecimento da demanda mundial, mas também resulta de dificuldades das empresas privadas na China, que não conseguem ter acesso ao crédito."

A especialista destaca que, como ocorreu no Brasil, o aumento do consumo interno deve ser resultado da elevação dos salários, o que vai viabilizar uma melhoria nas condições de vida dos chineses mais pobres, que permanecem à margem do crescimento econômico estrondoso do país nos últimos anos. Mas, ao contrário do Brasil, a falta de transparência do governo chinês faz com que o resto do mundo saiba pouco sobre o que realmente vai ser feito em um eventual pacote de estímulo ao consumo, como esclarece Leane Naidin, coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento, Comércio, Finanças e Investimentos do Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Brics, no Rio de Janeiro.

 

 

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