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Artigo publicado em 26 de Julho de 2012 - Atualizado em 26 de Julho de 2012

BCE diz que "fará de tudo" para salvar o euro, e bolsas sobem

Mario Dragui, presidente do Banco Central Europeu.
Mario Dragui, presidente do Banco Central Europeu.
REUTERS/Alex Domanski

RFI

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, prometeu nesta quinta-feira fazer o que for necessário para proteger a zona do euro de um colapso, incluindo agir para reduzir custos de empréstimos governamentais, que atingem números recordes. As declarações trouxeram um grande alívio aos mercados financeiros.

"Dentro do nosso mandato, o BCE está pronto para fazer o que for preciso para preservar o euro. E acredite em mim, será suficiente", afirmou Draghi em conferência de investimento em Londres. "À medida que o tamanho do prêmio soberano (custos de empréstimo) prejudica o funcionamento dos canais de transmissão da política monetária, eles passam a ser de nossa responsabilidade."

Os comentários de Draghi são dos mais audaciosos até agora e sugerem que o BCE está pronto para combater a crise da dívida a fim de defender a Itália e a Espanha, cujos custos de empréstimo subiram para níveis insustentáveis. Nos mercados financeiros, os comentários provocaram um salto no euro, enquanto os futuros dos títulos alemães, tipicamente favorecidos por investidores avessos ao risco, passaram a cair em resposta aos comentários.

O BCE tem mantido seu programa de compra de títulos inativo por meses, e a oposição interna para reativá-lo é firme. O foco da crise agora parece ser o que mais o BCE pode fazer para acalmar a situação. Economistas acreditam que a instituição pode ser forçada a comprar títulos novamente ou, como alternativa, apoiar países da zona do euro em dificuldade.

O banco poderia agir como o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, e o Banco da Inglaterra, e optar por "quantitative easing" (programa de compra de ativos) direto – o que, na prática, significa impressão de dinheiro. Draghi acrescentou que o BCE não quer fazer coisas que devem ser feitas por governos. Ele recusou-se a especular sobre a chance de um país deixar o euro, mas disse que o bloco monetário é "irreversível". O ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici, disse que os comentários de Draghi são "muito positivos".

A avaliação também foi positiva por parte dos mercados financeiros. Os principais pregões europeus encerraram hoje em forte alta, a exemplo de Paris (4,07%), Frankfurt (2,75%), Milão (5,62%) e Madri (6,06%).

Negociações da Grécia com credores continuarão

Na Grécia, o país que mais provoca preocupações na zona do euro, líderes políticos afirmaram que irão retomar na segunda-feira as negociações para elaborar um plano de cortes orçamentários para 2013 e 2014. Novos ajustes serão necessários para o país se qualificar para mais empréstimos de resgate, afirmou nesta quinta-feira o líder do partido socialista Pasok, Evangelos Venizelos.

"Nós continuaremos as negociações na segunda-feira", disse Venizelos a repórteres após uma reunião de três horas com o primeiro-ministro, Antonis Samaras, e o líder do Esquerda Democrata, Fotis Kouvelis.

Também hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que as discussões com as autoridades gregas sobre o plano de austeridade imposto ao país em troca de um resgate financeiro devem continuar por mais dois meses. Uma missão do FMI se encontra na Grécia para manter reuniões com o novo governo, diálmogo que vai se prolongar e essas conversações devem continuar "até setembro", disse o porta-voz David Hawley.
 

tags: Banco Central Europeu - Bolsa de Valores - Crise - Economia - Espanha - Euro - Grécia - Mario Draghi - Zona do Euro
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