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Alfredo Valladão.
Alfredo Valladão.

Crônica de política internacional de Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris

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Último programa : 15 de Maio de 2012
"Casal Merkollande entra em cena"

"Casal Merkollande entra em cena"

“A crise européia parece com a peça de Samuel Beckett, Esperando Godot. O cenário, trivial e absurdo, fica cada vez mais dramático enquanto todo mundo só faz esperar um personagem salvador da pátria que não chega nunca. Durante alguns meses, Godot foi o improvável casal Sarkozy-Merkel, o dito “Merkozy”. Mas Sarkozy, sai do palco hoje e o partido de Merkel acaba de amargar uma derrota pesada nas eleições do maior Estado federal alemão, a Renânia-Westfália. A descida aos infernos da Grécia, com uma classe política totalmente fragmentada, incapaz de compor um governo, veio demonstrar sobejamente que a solução de mais austeridade em cima de austeridade é inviável política e socialmente. O problema é que nenhum governo europeu, salvo quem sabe a Alemanha, tem condições financeiras para relançar o crescimento econômico com a gastança pública. Todo o mundo está praticamente falido e tem que pedir empréstimos aos mercados que cobram juros cada vez mais altos. A desconfiança e o pessimismo são gerais. E como na peça de Beckett, nem o suicídio é a solução: a Grécia não pode nem continuar a ser membro do Euro, nem sair da moeda única. Mais uma vez a Europa está à espera de um santo milagroso.

O novo Godot agora é o François Hollande, que assume hoje a presidência da França. O novo presidente francês não vai ter nem tempo de sentar no palácio do Eliseu. O primeiro ato presidencial, além de nomear um primeiro ministro vai ser sair correndo para Berlim para conversar com Angela Merkel. Sai o casal “Merkozy” e entra o “Merkollande”. Ouça a crônica de política internacional de Alfredo Valladão.

Arquivos

01 de Maio de 2012
O novo governo de Mariano Rajoy decidiu que a única solução era um apertaço no cinto.

“Remédio para salvar a Espanha pode matar o paciente”

“Nuvens negras e tempestades financeiras voltam a aparecer no horizonte europeu.

24 de Abril de 2012
A candidata de ultra-direita da Frente Nacional, Marine Le Pen, saúda seus apoiadores logo após o anúncio dos resultados eleitorais, neste domingo.

Voto de protesto marca eleições francesas

“Como sempre, a França cultiva a sua reputação de originalidade. Onde já se viu, no mundo ocidental rico, um terço do eleitorado votando em partidos extremistas, da direita e da esquerda? Na primeira volta das eleições presidenciais de domingo, a grande surpresa foram os quase 19% de Marine Le Pen, candidata da Frente Nacional, partido de extrema-direita, xenófobo e isolacionista, que ela herdou do seu pai, o velho Le Pen, conhecido pelo seu anti-semitismo e suas campanhas contra os emigrantes e o Islã. A filha conseguiu ultrapassar os resultados eleitorais do pai e não escondia a sua satisfação de ter se tornado uma peça agora incontornável do tabuleiro político francês. Do outro lado do espectro ideológico, a performance é menos espetacular, mas continua sendo significativa. O candidato da Frente de Esquerda, Jean-Louis Mélenchon, um ótimo tribuno que conseguiu dar um novo sopro de vida a um Partido Comunista moribundo, conseguiu 11% dos sufrágios com uma campanha demagógica e radical.”

17 de Abril de 2012
O americano Jim Yong Kim é o novo presidente do Banco Mundial.

Emergentes ainda vão esperar para presidir Banco Mundial

"No final das contas, não houve surpresas na escolha do novo presidente do Banco Mundial: ganhou o candidato americano. Desde a criação do banco e da instituição irmã, o Fundo Monetário Internacional, o presidente do Banco Mundial é sempre um americano e o do FMI é sempre um europeu. O arranjo tem quase setenta anos e, pelo visto, apesar da gritaria, não vai mudar tão cedo. Basta considerar que os Estados Unidos, a Europa e o Japão, controlam, juntos, 54% dos votos. Os “outros”, particularmente os “emergentes”, só poderão mudar este quadro quando depositarem muito mais grana na conta comum da entidade". Ouçam a crônica política de Alfredo Valladão.

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