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Artigo publicado em 27 de Julho de 2012 - Atualizado em 27 de Julho de 2012

Olimpíadas ocorrem em meio a crise e dão exemplo de austeridade

Londres abre oficialmente nesta sexta-feira os Jogos Olímpicos de 2012. Na foto, bandeira olímpica em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres.
Londres abre oficialmente nesta sexta-feira os Jogos Olímpicos de 2012. Na foto, bandeira olímpica em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres.
REUTERS/Stefano Rellandini

Elcio Ramalho

Mais de 4 bilhões de pessoas devem acompanhar nesta sexta-feira a cerimônia oficial de abertura das Olimpíadas de Londres, programada para as 21h no horário local (17h em Brasília). Além do espetáculo, mantido em segredo, as delegações dos países participam do tradicional desfile de apresentação no estádio Olímpico.

Do enviado especial da RFI a Londres

Às vésperas do grande espetáculo, o governo britânico recebeu uma péssima notícia, a de que a produção de riquezas do país caiu 0,7% entre abril e junho, o terceiro trimestre consecutivo de queda no PIB, acentuando ainda mais a percepção de que a crise se agrava no Reino Unido. Mas é em clima de festa que a cidade acolhe os milhares de turistas que invadiram a capital britânica para a grande celebração da festa esportiva que reúne mais de 16 mil pessoas, entre atletas, técnicos e dirigentes esportivos de todos os cantos do planeta.

Londres estendeu entre as árvores bandeiras britânicas e de dezenas de países participantes do evento, além dos cinco anéis que simbolizam os Jogos. Os organizadores enfrentaram muitos problemas na reta final, como a ameaça greve de agentes da imigração, em busca de uma remuneração extra pela sobrecarga de trabalho, taxistas revoltados com o uso exclusivo de uma faixa nas ruas só para atletas e dirigentes olímpicos, e até a convocação de última hora de 1,2 mil soldados para garantir a segurança, depois que a empresa contratada para o serviço anunciou que não iria garantir todos os agentes inicialmente previstos para o evento. A rede de transporte para o as regiões da cidade como o Parque Olímpico estão saturadas, mas as autoridades pedem paciência para a população e os turistas já que não há muito o que fazer.

Legado

O orçamento de Londres praticamente triplicou desde que a cidade foi escolhida para sediar os Jogos em 2005. Mas diante da crise econômica, os responsáveis pelas obras se adaptaram aos novos apertos no orçamento e entregaram todas as instalações nos prazos previstos e pelo valor equivalente a 30 bilhões de reais, abaixo do que foi posteriormente negociado.

Apelidados de Jogos da Austeridade diante do contexto econômico de crise na Europa, as Olimpíadas de Londres vão deixar um legado avaliado entre 10 e 13 bilhões de libras, o equivalente entre 31 e 41 bilhões de reais. Parte dos investimentos contribuiu para reabilitar a região leste da capital, que ganhou um parque olímpico novinho e que trouxe melhorias na rede de transporte, infraestrutura, comércio e moradia.

Londres deixa um exemplo ao conjugar rigor orçamentário com sustentabilidade já que a cidade, escolhida também pelo projeto que privilegiou aspectos de respeito ambiental, construiu obras que serão parcialmente desmontáveis e reaproveitadas em outros locais, como a arena de basquete que será totalmente desfeita e as arquibancadas para 12 mil pessoas deslocadas para o autódromo de Silverstone e outros locais. O próprio Estádio Olímpico, maior palco dos Jogos, foi construído com 80 mil lugares, mas apenas 25 mil são permanentes. O futuro proprietário do local decidirá o destino das arquibancadas moduláveis.

Impacto

Londres, que sedia pela terceira vez o maior evento esportivo do planeta, após ter organizado o evento em 1908 e 1948, espera atrair durante os próximos 17 dias mais de um milhão de visitantes de várias partes do mundo. Estimativas das autoridades revelam que a receita com o turismo pode chegar a 1 bilhão de libras, 3,16 bilhões de reais, durante as duas semanas do evento e depois o legado para o país das Olimpíadas e das Paraolimpíadas está avaliado entre 10 e 13 bilhões de libras, entre 31 e 41 bilhões de reais.

O Brasil acompanha com interesse muito particular a realização dos Jogos, afinal depois de Londres o país estará no centro das atenções como a sede das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. E como insiste a presidente Dilma Rousseff durante sua visita à cidade, o Brasil tem muito a aprender com o brilhantismo da organização dos britânicos e terá o desafio de superar as expectativas já que, por tradição, a cobrança é sempre de que a próxima Olimpíada seja melhor que a anterior. A contagem para Londres 2012 está terminando e a do Rio, apenas começando.
 

tags: Austeridade - Crise - Esporte - Inglaterra - Jogos Olímpicos - Jogos Olímpicos de Londres - Londres 2012 - Rio de Janeiro
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