Juiz Baltasar Garzón é suspenso por 11 anos
O Supremo Tribunal espanhol condenou hoje o célébre juiz Baltasar Garzón, que prendeu o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, a 11 anos de suspensão do exercício da profissão por ele ter autorizado escutas ilegais durante as investigações de um caso de corrupção. Garzón, de 56 anos, também é julgado em outro processo sobre vítimas do franquismo.
De acordo com a sentença, o magistrado é condenado a "11 anos de inabilitação especial para o cargo de juiz, com a perda definitiva do cargo que ostenta e das honras que a este são vinculadas". A alta corte espanhola julgou o caso em janeiro. Garzón foi considerado culpado de ter comprometido o direito de defesa ao ordenar a gravação de conversas na prisão entre advogados de defesa e seus clientes, supostos organizadores de uma rede de corrupção que em 2009 envolveu lideranças do Partido Popular (PP), que governa hoje a Espanha.
A suspensão significa o fim da polêmica carreira do juiz, mundialmente conhecido pela detenção do ex-ditador chileno Augusto Pinochet em 1998, em Londres, e suspenso de suas funções na Espanha desde maio de 2010.
O mesmo tribunal deve divulgar, na quarta-feira da semana que vem, a sentença de outro julgamento contra o magistrado, acusado por dois grupos de ultradireita espanhóis de ter tentado investigar o destino de mais de 114.000 desaparecidos durante o franquismo, ao final da Guerra Civil espanhola (1936-1939), apesar de uma lei de Anistia aprovada em 1977. Para Garzón, nenhuma anistia pode acobertar crimes contra a humanidade.
Essa avalanche judicial contra Garzón, e a existência de um terceiro processo para o qual ainda não foi anunciado julgamento, levaram partidários do juiz a denunciar uma manobra política contra o magistrado. Suas declarações públicas e investigações ousadas lhe renderam vários inimigos.
No dia 29 de janeiro, milhares de pessoas foram às ruas, em Madri, em apoio ao juiz. Políticos, artistas, sindicatos e atores se juntaram à multidão que exibia cartazes dizendo: "Garzón, amigo, as pessoas estão com você" e "Nós exigimos justiça".
Um grupo de relatores das Nações Unidas manifestou preocupação com os processos contra o juiz. "É lamentável que o juiz Garzón seja punido por abrir uma investigação que está de acordo com a obrigação da Espanha de apurar violações dos direitos humanos”, diz uma nota assinada pela relatora sobre a Independência de Juízes e Advogados, Gabriela Knaul, e pelos peritos do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados da ONU.
Nesta quarta-feira, Garzón disse que tinha a consciência tranquila. Ele afirmou não ter feito nada a mais do que sua obrigação como magistrado.
Abatido
Depois da sentença, o advogado do juiz declarou que ele está "profundamente abatido, ferido".

Delicious
Digg
Facebook
Twitter
Orkut
Yahoo!
Technorati






Comentários (1)
devia de haver assim em todos
devia de haver assim em todos os paises de todo o mundo, um magistrado que fosse capaz de combater a corrupção como ele fez ,só que isso leva a situações em como ele se encontra agora ,pois os governantes nao gostam que se acabe acorrupção e o crime , nao lhess enchem as contas bancarias
pelos vistos o crime compensa para OS GOVERNOS
Comente este artigo