Itália/Crise - 
Artigo publicado em 15 de Julho de 2012 - Atualizado em 15 de Julho de 2012

Itália quer arrecadar até € 20 bi por ano com venda de ativos públicos

Governo italiano quer arrecadar de 15 a 20 bilhões de euros por ano com venda de ativos públicos.
Governo italiano quer arrecadar de 15 a 20 bilhões de euros por ano com venda de ativos públicos.
REUTERS/Dominic Ebenbichler

O novo ministro italiano das Finanças, Vittorio Grilli, quer arrecadar de 15 a 20 bilhões de euros por ano, até 50 bilhões de reais, com a venda de ativos do Estado, de modo a reduzir a dívida do país de 20% nos próximos cinco anos. A dívida italiana chegou a 123% do produto interno bruto (PIB), isto é, toda a riqueza que o país produz em um ano.

Em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera, publicada neste domingo, Grilli reconhece que a Itália não dispõe de empresas públicas, como dispunha 20 anos atrás, para aplicar um amplo programa de privatizações. Mesmo assim, o ministro acredita que a venda de bens de propriedade do Estado pode ajudar a abater uma parte da dívida. Ele reconheceu que é cada vez mais difícil obter uma valorização do patrimônio imobiliário, mas está confiante na empreitada. Segundo o ministro, a dívida italiana beira os 2 trilhões de euros e, a grosso modo, 40% desse valor está nas mãos de estrangeiros.

Grilli comentou o recente rebaixamento da nota da dívida italiana pela agência Moody's, afirmando que o relacionamento entre governos e agências de notação de risco se tornou difícil nos últimos tempos. "Antes da crise dos subprimes, elas davam a melhor nota, o triplo A, a verdadeiros perigos públicos", disse. "Com o fim da bolha imobiliária, as agências de rating, que são empresas privadas em conflito de interesse com seus clientes potenciais, e expostas a uma cultura exclusivamente americana, estão sempre atrasadas em suas avaliações", acrescentou o ministro. "Elas amplificam os efeitos dos fenômenos, em vez de antecipá-los", criticou o dirigente italiano.

Grilli também reclamou do tratamento dado pelas agências de rating aos esforços do governo do primeiro-ministro Mario Monti. "Nenhum país fez tanto em tão pouco tempo", afirmou. Ele confessou que ainda tem receio dos juros que os mercados vão cobrar nas próximas emissões de títulos da dívida pública italiana, principalmente em agosto, um mês tradicionalmente volátil. 

Em compensação, o novo ministro está otimista com os efeitos do combate à evasão fiscal. O governo italiano se dotou de novos instrumentos de controle, e Grilli acha que a arrecadação poderá dar um salto de 10 bilhões de euros, com a legalização de dois milhões de bens imobiliários fantasma, que até então escapavam ao controle do fisco.

O ministro Vittorio Grilli assumiu a pasta das Finanças na última quarta-feira, no lugar do premiê Mario Monti, que acumulava desde sua posse as duas funções.

tags: Crise - Dívida - Economia - Itália - Mario Monti - Vendas - Zona do Euro
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