Imigração/França - 
Artigo publicado em 25 de Agosto de 2010 - Atualizado em 25 de Agosto de 2010

Autoridades romenas discutem expulsão de ciganos em Paris

Polícia francesa inspeciona um campo de ciganos ilegais, em Aix-en-Provence.
Polícia francesa inspeciona um campo de ciganos ilegais, em Aix-en-Provence.
REUTERS

Cíntia Cardoso

Dois membros do governo romeno estão nesta quarta-feira em Paris para um encontro com o ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, e da Imigração, Eric Besson. Na agenda, a onda de expulsão de ciganos para a Romênia e a Bulgária.

Mais cooperação e transparência das autoridades francesas. Essa será a tônica do encontro dessa quarta-feira. Valentin Mocanu, secretário de Estado responsável pela reintegração dos ciganos, disse na véspera do encontro com as autoridades francesas que Paris e Bucareste precisam de uma coordenação mais eficiente. Mocanu admitiu, porém, que a Romênia também precisa fazer mais esforços para melhorar a situação dos ciganos, que são a principal minoria étnica do país e a mais discriminada. Ele também reconheceu que a principal motivação para que os ciganos deixem seu país de origem é econômica.

No mês passado, depois de um incidente com um jovem nômade no centro da França, o ministro do Interior francês anunciou uma série de medidas repressivas visando, principalmente, a comunidade cigana que vive ilegalmente na França. O ministro Hortefeux prometeu desmantelar pelo menos 300 acampamentos irregulares nos próximos três meses. O ministro da Imigração anunciou a meta de repatriar 850 ciganos romenos e búlgaros até o final deste mês.

Até o momento, porém, a França está bastante longe desse objetivo. Segundo as autoridades romenas, o número de ciganos romenos que voltaram para o país nos últimos dias não passa de 200. Informações do governo búlgaro indicam que 13 roms chegaram à capital Sofia na sexta-feira passada.

No programa de repatriamento voluntário do governo francês, 5 mil ciganos voltaram para os seus países de janeiro a julho deste ano Cada adulto recebe a passagem aérea e uma ajuda de custo de 300 euros. A maioria, porém, acaba voltando para a França.

Na noite de ontem, o primeiro-ministro francês François Fillon pediu que o governo francês continue agindo "com firmeza" em relação à questão dos ciganos. Porém, apesar de ter declarado que as operações de expulsão respeitam a legislação francesa e europeia, Fillon disse que é necessário tomar cuidado para não politizar a questão. O premiê francês declarou ainda que pretende consultar a Comissão Européia.
 

tags: Bulgária - França - Imigração - Imigrantes clandestinos - Romênia
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