França/Renault - 
Artigo publicado em 14 de Março de 2011 - Atualizado em 14 de Março de 2011

Renault pede desculpas a executivos demitidos por espionagem

O executivo Carlos Ghosn, presidente da Renault
O executivo Carlos Ghosn, presidente da Renault
Reuters

Leticia Constant

Nesta segunda-feira, o Conselho de administração do construtor automobilístico Renault apresentou desculpas aos seus três executivos injustamente demitidos, acusados de espionar e vender para a China o projeto secreto do carro elétrico que vem sendo desenvolvido pelo grupo.

As denúncias foram feitas no final de agosto do ano passado, através de uma carta anômima. Ao contrário da denúncia, as investigações na Suíça e no Liechtenstein provaram que os três suspeitos não tinham contas secretas nos bancos estrangeiros, abertas com o dinheiro que teriam recebido em troca das informações.

O procurador do Tribunal de Justiça de Paris, Jean-Claude Marin, confirmou que a suspeita de espionagem industrial para uma potência estrangeira foi abandonada pela hipótese de uma grande extorsão no interior do departamento de segurança da empresa.

Diante do erro gravíssimo, o presidente do grupo, Carlos Ghosn, e o diretor geral, Patrick Pélata, reconhecem o prejuízo humano que os acusados e suas famílias sofreram e se comprometem a reparar os danos e restaurar sua honra diante de todos.

Os três demitidos, Bertrand Rochette, Matthieu Tenenbaum e Michel Balthazard, sempre clamaram sua inocência, tendo inclusive entrado com queixa na justiça por difamação. Na época, Carlos Ghosn rebateu, afirmando que tinha provas das acusações. Mas o inimigo real estava mais perto do que Ghosn imaginava: era o próprio responsável pela segurança da Renault, Dominique Gevrey, que foi indiciado por formação de quadrilha e está atrás das grades. Ele foi preso na sexta-feira passada, quando tentava embarcar em um avião para a Guiné. Ele é acusado de organizar uma super manipulação para desestabilizar a empresa, por razões ainda não esclarecidas.

O homem recebeu da Renault uma primeira parcela equivalente a mais de R$730 mil e esperava receber uma outra de R$900 mil para conseguir documentos de abertura das contas bancárias no exterior pelos três executivos. Ele também teria recorrido aos serviços de um outro homem, que falsificou notas fiscais de empresas na Argélia e Dubai, para justificar suas despesas.
 

tags: Automobilismo - França
Comentários
Comente este artigo
O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
To prevent automated spam submissions leave this field empty.
CAPTCHA
Esta pergunta serve para diferenciação entre computadores e humanos contra os ataques de spams. Automated spam submissions.
Close