05 de Julho de 2012
Estudantes franceses acampam em frente ao consulado brasileiro para obter visto
Fachada do Consulado do Brasil em Paris.
Fachada do Consulado do Brasil em Paris.
Taíssa Stivanin

Para os estudantes franceses que querem estudar no Brasil, o maior desafio é chegar até o guichê de atendimento do Consulado Brasileiro em Paris para tentar obter um visto de longa duração. É preciso ter paciência: a fila começa na véspera. Por volta das 21h, às vezes antes, os primeiros estudantes começam a se instalar em frente à porta da representação brasileira, situada na avenida Franklin Roosevelt ,com colchões, água e marmita.

“Quando cheguei de manhã, vi que tinha gente esperando desde às 22h da noite anterior. Vimos as pessoas com tapetes estendidos na calçada. Não tem problema, vamos voltar, na pior das hipóteses. É burocracia, precisa de tempo para isso. Não é fácil para nós, mas também não é fácil para eles. Não acho que eles sintam algum tipo de satisfação em nos ver aqui. Vamos esperar e ver o que acontece", diz o estudante Alexandre. 

O serviço de vistos funciona com hora marcada, mas obter um horário é uma missão complicada. Normalmente, quando os estudantes descobrem que foram aceitos pela universidade brasileira, não há mais horários vagos. Se eles querem respeitar os prazos impostos pelas instituições, têm que enfrentar a  fila. Noemi Kner, 19 anos, chegou tarde e também não conseguiu ser atendida. "Vou acampar todos os dias aqui...tem gente que chegou às 4h da manhã e não conseguiu entrar, tenho que fazer isso..."

Segundo o cônsul interino, José Antonio Macedo Soares, a demanda de vistos aumenta muito no verão, assim como o número de turistas. Só no mês de junho, 170 estudantes franceses solicitaram um visto. Segundo ele, é difícil explicar o porquê de toda essa demora. Uma das hipóteses é que, como as universidades brasileiras estão em greve, os estudantes franceses são informados em cima da hora que suas matrículas são aceitas. Macedo Soares tenta, na medida do possível, atender a todos. "Acampar, é porque eles querem ter certeza de que serão atendidos, estamos tentando aumentar o número de senhas, mas são muitos que querem ir para o Brasil", declara.

 

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