Artigo publicado em 02 de Agosto de 2011 - Atualizado em 02 de Agosto de 2011

Acordo sobre dívida ofuscado pela fragilidade da economia americana

Capas dos jornais franceses desta terça-feira, 02/08/2011
Capas dos jornais franceses desta terça-feira, 02/08/2011
E.Straumann

Elcio Ramalho

A situação crítica da economia americana ofuscou o acordo sobre o teto da dívida e ganhou as manchetes da imprensa francesa desta terça-feira. Os principais jornais do país dão destaque às reações negativas dos mercados aos números que revelam a dificuldade dos Estados Unidos em retomar a rota do crescimento, apesar dos esforços do governo e do Congresso em controlar o rombo no déficit público.

Os Estados Unidos de Barack Obama em pane, é a manchete escolhida pelo jornal Le Figaro para resumir a gravidade da situação e o imenso desafio do presidente americano. O jornal lembra que em 11 anos, a dívida americana mais do que dobrou. De pouco menos de 6 trilhões de dólares em 2000, o rombo subiu para mais de 14 trilhões no mês passado. E apesar do compromisso sobre a dívida costurado a duras penas entre democratas e republicanos, a economia do país exibe sinais muito preocupantes de estagnação, escreve o jornal conservador.

Já o diário econômico Les Echos afirma em sua manchete que a preocupação com a economia americana só cresce. Os sinais de uma desaceleração da atividade econômica do país se multiplicam. Depois do anúncio de um PIB abaixo das expectativas, a publicação de um índice da produção industrial em queda contribuiu para aumentar o temor dos investidores. As bolsas mundiais nem tiveram tempo de celebrar o acordo sobre o teto da dívida, explica o Les Echos, citando como exemplo o índice CAC 40 da bolsa de Paris que perdeu 2,27% ontem.

O L'Humanité afirma que o acordo anunciado sobre o teto da dívida americana é de alto risco. O plano de austeridade aprovado deve aumentar a recessão americana em um cenário de crescimento econômico fraco e um índice de desemprego que chega a 9%, observa o jornal comunista. O preço da autorização para aumentar o teto da dívida será uma redução enorme nas despesas públicas e programas sociais. E tudo isso vai pesar sobre a economia global. O mundo inteiro vai sentir o gosto amargo dessa fatura, alerta o L'Humanité.
 

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