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Artigo publicado em 12 de Novembro de 2011 - Atualizado em 13 de Novembro de 2011

Italianos festejam demissão de Silvio Berlusconi

Depois de oficializar sua demissão, Berlusconi teve de sair do palácio presidencial pelos fundos para evitar a multidão que festejava sua renúncia.
Depois de oficializar sua demissão, Berlusconi teve de sair do palácio presidencial pelos fundos para evitar a multidão que festejava sua renúncia.
Reuters

Conforme havia prometido, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi se demitiu hoje do governo da Itália. Uma multidão saiu nas ruas de Roma para festejar o fim de um reinado de quase 20 anos de escândalos sexuais, políticos e financeiros. Berlusconi foi vaiado e chamado de palhaço. Quando ele entrou no palácio presidencial para oficializar sua demissão ao presidente Giorgio Napolitano, o povo cantou "Aleluia". A nomeação do novo chefe de governo pode acontecer neste domingo. O ex-comissário europeu da Concorrência Mario Monti figura como favorito para o cargo.

Gina Marques, de Roma para a RFI

Num ritual que já estava programado, Berlusconi disse adeus a seus ministros durante uma reunião que durou 35 minutos, logo após a aprovação pela Câmara dos Deputados, neste sábado, da lei de estabilidade financeira com novas medidas de austeridade destinadas a levar confiança aos investidores.

Depois, Berlusconi seguiu para o palácio do Quirinal, sede da presidência da República, onde formalizou sua demissão ao presidente Giorgio Napolitano. Ao entrar no palácio, Berlusconi foi vaiado por milhares de italianos que foram ao local festejar a renúncia do premiê. Aos 75 anos, Berlusconi deixa o governo e um país à beira da asfixia financeira. Cúmulo da humilhação, ele teve de deixar o palácio presidencial escondido, pela porta dos fundos.

Milhares de pessoas quiseram acompanhar passo a passo o adeus de Berlusconi. Ele teve que enfrentar insultos da população desde a saída de sua casa, o Palácio Grazioli, no centro da capital. A multidão gritava "palhaço", "mafioso", erguia cartazes com a escrita "Fora" e jogava objetos no carro de Berlusconi. Alguns mais corajosos aplaudiram o premiê.

Amigos disseram à agência de notícias Ansa que ele estava profundamente amargurado com esse tratamento impiedoso. Neste momento, a maioria dos italianos culpa Berlusconi como o grande responsável pela crise econômica e pela perda de credibilidade do país na comunidade internacional.

Até o último minuto, Berlusconi articulou com os aliados para manter a sua influência no próximo governo, que deverá ser comandado pelo economista Mario Monti, ex-comissário para a Concorrência da União Europeia, salvo surpresas.

O líder da oposição Dario Franceschini (Partido Democrático) disse que a Itália virou hoje "uma página longa e dolorosa de sua história".

Fim de governo tumultuado

Berlusconi fez uma entrada triunfal na política há 17 anos, quando criou o partido Força Itália. Dono de um império no setor das telecomunicações, ele acabou envolvido em escândalos financeiros e de sua vida privada devido a uma agitada vida sexual. Há vários meses ele enfrenta processos na justiça, acusado de corrupção do Judiciário, prostituição de menor e fraude fiscal. Ao todo, ele enfrentou 24 processos enquanto esteve no poder. Berlusconi foi primeiro-ministro entre 1994 e 1995, depois de 2001 a 2006 e ocupava o cargo desde 2008.

Ironicamente, o magnata das telecomunicações adulado pelo empresariado italiano foi derrubado pelos mercados que não confiavam mais na sua capacidade de fazer as reformas necessárias para tirar a Itália da crise. Nos últimos meses, fragilizado pela crise da dívida, sua quota de popularidade baixou a 22%. Com o país à deriva, o governo italiano teve de aceitar a tutela da Comissão Europeia e do FMI.

Até o último minuto, o ex-premiê lutou para se manter influente. Ele almoçou neste sábado com seu provável sucessor, Mario Monti, e declarou a aliados que não havia perdido a vontade de lutar: "podemos desligar a tomada na hora que quisermos", teria dito Berlusconi a aliados que não aceitam fazer parte de um governo aberto à oposição de esquerda e exigem eleições antecipadas.

tags: Crise financeira - Crise política - Demissão - Dívida - Itália - Zona do Euro
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