Aviação/França - 
Artigo publicado em 01 de Dezembro de 2011 - Atualizado em 02 de Dezembro de 2011

Le Monde analisa por que vendas do Rafale não decolam

As aeronaves de caça francesas Rafale a bordo do porta-aviões Charles-de-Gaulle.
As aeronaves de caça francesas Rafale a bordo do porta-aviões Charles-de-Gaulle.
Reuters/ECPAD/Marine nationale/Cyril Davesne/Handout

RFI

A Suíça anunciou ontem a compra dos aviões de caça Gripen da sueca Saab em detrimento dos Rafale franceses. Para o jornal Le Monde, esse novo fracasso é a prova de que a estratégia comercial da aeronáutica militar francesa vive de “miragens”.

Em editorial na capa da edição do Le Monde desta quinta-feira, o jornal francês faz uma constatação dramática: o caça francês Rafale, assim como o Concorde na aviação civil, “é um avião que nunca foi exportado”. O texto culpa o governo francês e a fabricante Dassault por não conseguirem concorrer no mercado internacional com os modelos similares F-18 (da americana Boeing), Gripen (da sueca Saab) e o Eurofighter (produzido por um consórcio da Itália, Alemanha e Espanha).

Desde o lançamento do programa Rafale, nos anos 80, a Dassault só enfrentou dissabores nas exportações. A lista de clientes que desistiram da compra do modelo francês é extensa: Holanda, Coreia do Sul, Cingapura, Marrocos, Emirados Árabes Unidos e até  Líbia sob o regime de Muammar Kadafi.  E, para o jornal, a maior decepção foi o Brasil.

Em entrevista ao Le Monde há dois anos, o presidente da Dassault, Charles Edelstenne, afirmou que o Rafale poderia, enfim, se livrar do rótulo de avião que “nunca havia sido exportado”, já que dava como quase certa a venda de 36 exemplares para o Brasil. A promessa de compra brasileira, porém, dissipou-se “como uma miragem”, diz o editorial. Agora, a fabricante aposta todas as fichas em uma “vaga” esperança na Índia que pretende comprar 126 caças para suas forças armadas. Essa pode ser uma das últimas chances para salvar a reputação da aeronave.

Em um texto nas páginas econômicas, o jornal continua a analisar o caso e avalia que o Rafale é “caro demais”. Para justificar a escolha do governo suíço, por exemplo, indica que “os argumentos financeiros foram determinantes “.

Por enquanto, a Dassault terá que se consolar com o mercado interno. As Forças Armadas da França vão comprar 180 Rafale até 2021, podendo chegar a adquirir 286 aeronaves. A encomenda terá um custo de 40 bilhões de euros. Para o jornal, em tempos de austeridade, é questionável que o governo francês financie, sem discutir o preço, uma empresa privada.

 

tags: Aviação - Brasil - Exército - Exportação - França - Rafale
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Comentários (2)

Tudo errado

Alguns países não podem ter caças bombardeios para Ogivas nucleares que é o caso da versão 3 do Rafale.

Leis internacionais impedem

Compra de caças

O que impede a compra dos caças é uma modernização de nossas forças armadas, não é a crise internacional e sim a corrupção nacional!
Onde estão os militares que sempre defenderam nossa patria? Esta na hora de uma intervenção neste governo e colocar ordem no País...

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