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Artigo publicado em 29 de Janeiro de 2012 - Atualizado em 29 de Janeiro de 2012

Partido Comunista Cubano inicia congresso histórico

Faixa fotografada neste sábado, em Havana, deseja "Longa vida para a Revolução Cubana".
Faixa fotografada neste sábado, em Havana, deseja "Longa vida para a Revolução Cubana".
REUTERS/Enrique de la Osa

Na véspera da visita da presidente Dilma Rousseff a Havana, a partir de segunda-feira, mais de 800 delegados do Partido Comunista Cubano iniciaram neste sábado um congresso extraordinário de dois dias para estudar reformas e eliminar entraves da era comunista que atrasam o desenvolvimento de Cuba. Os debates são conduzidos pelo presidente Raul Castro.
 

Os 811 delegados participantes do congresso do PCC têm um árduo trabalho pela frente: renovar um partido único e todo poderoso há quase meio século, acusado pelo próprio presidente Raul Castro de barrar o avanço de reformas na ilha por conta de uma estrutura inerte e corrupta.

Ao convocar o congresso extraordinário, uma medida inédita desde a fundação do PCC por Fidel Castro em 1965, o atual presidente cubano advertiu que ou o PCC dá conta de se autoreformar ou os esforços feitos até hoje por várias gerações vão para o brejo. 

Como primeiro-secretário do PCC, Raul Castro conhece bem os limites de uma tal empreitada. Mesmo assim, ele pediu aos delegados que se livrem dos "dogmas" e das "inépcias" do passado para "garantir a perenidade do socialismo cubano".

O congresso foi preparado com base num documento distribuído em outubro às células do partido, que reúnem 800 mil militantes. Após 65 mil reuniões das bases, os militantes modificaram 78 das 96
propostas originais e acrescentaram cinco outras, segundo as únicas informações oficiais divulgadas até o início do encontro neste sábado. 

Entre as medidas na ordem do dia estão a limitação a no máximo dois períodos consecutivos de 5 anos para os mandatos do alto escalão, incluindo o de presidente. Raul Castro, por exemplo, tem 80 anos e acumula os cargos de presidente do Conselho de Estado, do Conselho de Ministros e de primeiro-secretário do PCC. Ele está convencido que uma das falhas de sua própria geração, alçada ao poder pela Revolução de 1959, foi não ter preparado jovens para a sucessão política. 

O congresso também poderá adotar medidas para reduzir as discriminações e democratizar o acesso à informação. Uma das propostas em discussão prevê o desenvolvimento de "um jornalismo de investigação que permita ir além da autocensura, da linguagem burocrática, da retórica e do triunfalismo que dominam os meios de comunicação cubanos", todos oficiais. Raul Castro também propõe facilitar o acesso às novas tecnologias e à internet, até hoje sob censura. 

Apesar da aparente lucidez do presidente cubano, entre diplomatas, intelectuais e dissidentes ninguém tem muita esperança de ver uma nova revolução em Cuba neste fim de semana.

tags: Cuba - Dilma Rousseff - Raúl Castro - Reforma - Visita oficial
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