10 de Maio de 2012
França celebra abolição da escravidão com colóquio internacional
O quadro do pintor francês Marcel Verdier foi rejeitado pelo Salão do Louvre de 1843 por denunciar abertamente a escravidão.
O quadro do pintor francês Marcel Verdier foi rejeitado pelo Salão do Louvre de 1843 por denunciar abertamente a escravidão.
Pintura de Marcel Verdier
Leticia Constant

Nesta quinta-feira, 10 de maio, a França celebra 164 anos da abolição definitiva da escravidão. Para marcar a data, o Museu Quai Branly está realizando um colóquio internacional dedicado a uma área fundamental como instrumento de memória: a arqueologia. Trinta especialistas franceses e estrangeiros participam do encontro, que aborda os avanços mais recentes na área no conhecimento do tráfico, prisão e quilombos de escravos fugitivos.

A arqueóloga brasileira Tania Andrade Lima, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, surpreendeu a plateia ao apresentar o trabalho que realiza na zona portuária do Rio de Janeiro, onde encontrou os vestígios do Valongo, um antigo porto onde ancoraram milhares de navios negreiros. Entre 1811 e 1843, cerca de 500 mil africanos desembarcaram no Valongo, onde foram encontrados centenas de objetos pertencentes aos negros trazidos à força ao Brasil para trabalhar nas plantações de café e cana de açúcar.

As obras de infraestrutura para a preparação dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, exigiram a criação de um um programa arqueológico preventivo. Tania Andrade Lima, em paralelo, lançou um programa de pesquisa e encontrou os traços do Valongo, iniciando um trabalho que vai culminar na fundação de um memorial.

Close