« Todo mundo pode ser famoso durante quinze minutos », dizia Andy Warhol. Pelo visto, o presidente boliviano Evo Morales quer a todo custo fazer parte da galeria de “famosos” do papa do Pop Art. Aproveitando o fato de que Cochabamba é sede, este ano, da quadragésima segunda Assembléia geral da OEA (a Organização dos Estados Americanos), o primeiro presidente indígena da Bolívia decidiu dar um “showzinho” de bravatas inócuas – a melhor maneira de aparecer nos jornais e na Telesur. Nada mais fácil do que começar com alguma invectiva contra o os Estados Unidos e declarações lúdricas tipo: “ a OEA morre ao serviço do império ou renasce para servir os povos da América”. E depois pedir para que a mesma OEA tome posição oficial a favor da velha reivindicação boliviana de acesso ao mar, que a Bolívia perdeu para o Chile na guerra do Pacífico, no século XIX. E terminar por uma velhacaria propondo o simples desaparecimento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, cuja independência em relação aos governos é insuportável para todo o grupo autoritário “bolivariano”. Como não podia deixar de ser, Morales foi aplaudidíssimo pelos auto-proclamados “representantes dos movimentos sociais” do continente reunidos para escutá-lo.” Ouça a crônica de política internacional de Alfredo Valladão.

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