19 de Julho de 2012
Estados Unidos se tornam autosuficientes em gás graças ao xisto
Instalação de gás de xisto em Fort Worth, Texas, nos Estados Unidos.
Instalação de gás de xisto em Fort Worth, Texas, nos Estados Unidos.
Robert Nickelsberg/Getty Images/AFP
Lúcia Müzell

A busca por alternativas ao uso do petróleo e do gás natural levou os Estados Unidos a uma verdadeira revolução do xisto, uma rocha rica em gás, óleo e petróleo não convencionais. Embora se trate de mais uma energia fóssil, portanto não renovável, o xisto é um substituto perfeito do gás natural, em escassez em diversos países do mundo. Mas a técnica de extração do produto é, além de complexa, perigosa para o meio ambiente.

Para chegar até o gás de xisto, é preciso realizar perfurações profundas na pedra e injetar água e produtos químicos para provocar a saída do produto à superfície, quando pode ser recuperado. O problema é que essa água poluída pode acabar vazando para os lençóis freáticos, de onde vem a água potável.

René Rodrigues, coordenador do Inog, Instituto Nacional de Óleo e Gás, da UERJ, afirma que a exploração do xisto ainda é muito pequena no Brasil, que segue concentrado nas reservas de petróleo convencional e pré-sal. Há extração de gás e óleo de xisto no Paraná, onde existem grandes reservas do produto.

Já nos Estados Unidos, líderes nesta produção, a extração do xisto já responde por 12% da necessidade de gás do país. Foi essa revolução que levou os americanos a não só se tornarem autosuficientes em gás, desde 2010, como já se preparam para exportar o produto. Maité Jauréguy-Naudin, especialista em Energia do Instituto Francês de Relações Internacionais, esclarece que, no início, houve acidentes ambientais porque as pequenas companhias não tinham a experiência necessária. "Mas em um segundo momento, as grandes companhias entraram em campo e hoje elas fazem este trabalho de uma maneira muito profissional e muito mais segura, cuidando para não danificar o meio ambiente."

Na França, o assunto provoca seguidamente polêmica. O país possui reservas importantes no subssolo. Mas a rejeição da opinião pública e a força de organizações não-governamentais, como a Stop Gaz de Schiste, impedem que sequer pesquisas sejam feitas neste setor. O porta-voz da ONG, Jean Louis Chopy, pede mudanças no comportamento de todos para não se precisar de novas fontes energéticas.

"O problema que se coloca é o da energia em geral. É preciso, a qualquer preço, parar com o desperdício de energia, mudar o tipo de energia, mudar muita coisa em nome da transição energética. Se continuarmos desperdiçando, evidentemente, cedo ou tarde nós precisaremos de outras fontes, afinal não podemos mais alimentar a nossa bulimia energética com os recursos convencionais", afirma. 

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