19 de Julho de 2012
Estados Unidos se tornam autosuficientes em gás graças ao xisto
Plate-forme de gaz de schiste à Fort Worth au Texas, aux Etats-Unis. (Photo: 17 décembre 2008).
Plate-forme de gaz de schiste à Fort Worth au Texas, aux Etats-Unis. (Photo: 17 décembre 2008).
Robert Nickelsberg/Getty Images/AFP
Lúcia Müzell

A busca por alternativas ao uso do petróleo e do gás natural levou os Estados Unidos a uma verdadeira revolução do xisto, uma rocha rica em gás, óleo e petróleo não convencionais. Embora se trate de mais uma energia fóssil, portanto não renovável, o xisto é um substituto perfeito do gás natural, em escassez em diversos países do mundo. Mas a técnica de extração do produto é, além de complexa, perigosa para o meio ambiente.

Para chegar até o gás de xisto, é preciso realizar perfurações profundas na pedra e injetar água e produtos químicos para provocar a saída do produto à superfície, quando pode ser recuperado. O problema é que essa água poluída pode acabar vazando para os lençóis freáticos, de onde vem a água potável.

René Rodrigues, coordenador do Inog, Instituto Nacional de Óleo e Gás, da UERJ, afirma que a exploração do xisto ainda é muito pequena no Brasil, que segue concentrado nas reservas de petróleo convencional e pré-sal. Há extração de gás e óleo de xisto no Paraná, onde existem grandes reservas do produto.

Já nos Estados Unidos, líderes nesta produção, a extração do xisto já responde por 12% da necessidade de gás do país. Foi essa revolução que levou os americanos a não só se tornarem autosuficientes em gás, desde 2010, como já se preparam para exportar o produto. Maité Jauréguy-Naudin, especialista em Energia do Instituto Francês de Relações Internacionais, esclarece que, no início, houve acidentes ambientais porque as pequenas companhias não tinham a experiência necessária. "Mas em um segundo momento, as grandes companhias entraram em campo e hoje elas fazem este trabalho de uma maneira muito profissional e muito mais segura, cuidando para não danificar o meio ambiente."

Na França, o assunto provoca seguidamente polêmica. O país possui reservas importantes no subssolo. Mas a rejeição da opinião pública e a força de organizações não-governamentais, como a Stop Gaz de Schiste, impedem que sequer pesquisas sejam feitas neste setor. O porta-voz da ONG, Jean Louis Chopy, pede mudanças no comportamento de todos para não se precisar de novas fontes energéticas.

"O problema que se coloca é o da energia em geral. É preciso, a qualquer preço, parar com o desperdício de energia, mudar o tipo de energia, mudar muita coisa em nome da transição energética. Se continuarmos desperdiçando, evidentemente, cedo ou tarde nós precisaremos de outras fontes, afinal não podemos mais alimentar a nossa bulimia energética com os recursos convencionais", afirma. 

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