14 de Agosto de 2012
Igreja católica usa feriado para protestar contra casamento gay
Mulheres encenam casamento em manifestação da Parada Gay, em Paris.
Mulheres encenam casamento em manifestação da Parada Gay, em Paris.
REUTERS/Daniel Munoz
Lúcia Müzell

A igreja católica francesa vai dar uma cara política à comemoração de Assunção, comemorada neste 15 de agosto. Ao lado das orações para a Virgem Maria, o cardeal Vingt-Trois, presidente da Confederação dos Bispos da França, conclamou as dioceses a lerem um texto de oposição ao casamento entre homossexuais.

O governo francês prometeu votar uma lei permitindo a união civil entre duas pessoas do mesmo sexo no início do ano que vem, em uma causa contra a qual a igreja promete mobilizar os fiéis, inclusive os parlamentares. O porta-voz da confederação, monsenhor Podvin, defende a postura dos dirigentes católicos. "As posições da Igreja Católica são conhecidas: não há nenhuma novidade nisso. Entretanto, deve haver um debate, e não está havendo. Está se considerando que tudo isso está decidido", argumentou.

O assunto ainda deve provocar muita polêmica. A França promete seguir na mesma via que países como Espanha, Portugal e os países nórdicos já trilharam. No meio deste debate, encontram-se os homossexuais e católicos, que brigam por essa evolução na religião na qual têm fé. Este é o caso de Jean Louis Lecouffe, representante da associação David e Jonathan, de católicos homossexuais. "É legítimo que a igreja se pronuncie sobre a política da sociedade, mas ao mesmo tempo ela se pronuncia em um contexto político em que ela se coloca ao lado dos mais conservadores e tradicionalistas", avalia.

"A França não vai apenas autorizar o casamento homosexual: ela vai colocar um fim a uma discriminação. Nós achamos que hoje não há direitos que se aplicam de forma idêntica se as pessoas são do mesmo sexo. E nós, enquanto gays e cristãos, nos encontramos em uma situação muito desconfortável", disse Lacouffe.

 

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