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16 de Agosto de 2012
Seca nos EUA é efeito das mudanças climáticas, diz especialista da ONU
Diante de uma plantação de milho danificada pelo calor, presidente americano, Barack Obama, prometeu ajuda para os agricultores afetados pela seca.
Diante de uma plantação de milho danificada pelo calor, presidente americano, Barack Obama, prometeu ajuda para os agricultores afetados pela seca.
REUTERS/Larry Downing
Lúcia Müzell

A grave seca que atinge vários países das mais variadas regiões do planeta coloca o mundo em alerta sobre os riscos de uma crise alimentar. A falta de chuva afeta os Estados Unidos e a Rússia, grandes exportadores de alimentos, e já provocou um aumento de 17% dos preços dos cereais em apenas um mês. Em entrevista à RFI, Mannava Sivakumar, diretor do Departamento de Previsões Climáticas da Organização Meteorológica Mundial da ONU, em Genebra, analisa as causas deste clima árido .

O especialista afirma que os fenômenos não são relacionados entre si, mas que em vários países, como no caso americano, a seca é um efeito direto das mudanças climáticas. "Pesquisas demonstraram que a probabilidade do forte calor ocorrido no Texas em 2011 ser causado pelas alterações climáticas era 20 vezes superior a chance de ser por causas naturais. A mesma situação foi comprovada na Grã-Bretanha, em que a probabilidade era ainda maior, de 60 vezes", disse. "Na Rússia é mais ou menos a mesma coisa, e no México também. Mas não se pode generalizar. Na India, está claro que o fenômeno das monções está fraco neste ano, fazendo com que 50% do território indiano esteja afetado pela seca."

Sivakumar lembra ainda que a situação dramática na Espanha, onde os incêndios florestais de verão já devastaram milhares de hectares, é normal para uma zona semi-árida.

Embora os dados ainda estejam sendo coletados para este ano, o o diretor ressalta que a ciência já comprovou que as mudanças climáticas vão ocasionar cada vez mais períodos longos de fortes secas como o atual. Por causa disso, a entidade das Nações Unidas vai realizar uma mega conferência ministerial em março do ano que vem, para impulsionar os países a se prepararem melhor contra os efeitos da seca, sobretudo na agricultura.

"Nós queremos estimular todos os países do mundo a criar um plano de política nacional contra a seca. Há 204 países no mundo, e apenas um tem um programa nacional: a Austrália", argumentou. "Se existe um plano, cada governo será obrigado a tomar atitudes sobre o que deve ser feito, em cada região do país. A falta de políticas adaptadas é a única causa dos impactos que estamos vendo hoje."

O nordeste do Brasil sofreu com seca entre março e maio, e agora a tendência é de ocorrência do fenômeno El Nino, que se caracteriza por poucas chuvas naquela região. José Antonio Aravequia, chefe da divisão de Operações do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, diz que a tendência é por menos chuvas nos próximos meses.
 

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