22 de Agosto de 2012
Divergências na oposição síria elevam incertezas sobre revolução
Presidente do Conselho Nacional Sírio, Abdel Basset Sayda, não tem conseguido unir forças da oposição.
Presidente do Conselho Nacional Sírio, Abdel Basset Sayda, não tem conseguido unir forças da oposição.
REUTERS/Osman Orsal
Lúcia Müzell

As profundas divisões que existem na oposição síria têm se mostrado cada vez mais um empecílho para os rebeldes receberem mais ajuda internacional para conseguir depôr o presidente Bashar al-Assad. A dificuldade de a oposição se unir e demonstrar um plano para uma eventual saída do ditador do poder preocupam os governantes ocidentais, que temem que um caos se instale na Síria quando o regime cair.

O Conselho Nacional Sírio, CNS, visto como a principal força política da oposição, foi criado no exterior e não conta com o apoio do Exército Sírio Lívre, formado pelos militares desertores que, em campo, estão combatendo as forças do regime. Para piorar, nesta semana o CNS sofreu uma divisão interna devido a divergências entre as principais lideranças, em uma briga de egos que está custando a credbilidade da frágil organização.

O pesquisador Fabrica Balanche, diretor do Grupo de Pesquisas e Estudos sobre o Mediterrâneo e o Oriente Médio da Universidade de Lyon 2, esclarece as dificuldades para a criação de um projeto comum. "O único fator de unidade da oposição síria é o ódio contra Bashar al-Assad. Existe uma oposição muito diversificada, que vai de marxistas até islâmicos radicais, salafistas, jihadistas próximos da Al Qaeda", explica. "No meio, você tem a Irmandade Muçulmana, que não se dá bem com os salafistas, ainda tem os curdos, que permanecem excluídos do processo, e os laicos, que não suportam a Irmandade Muçulmana e os demais islâmicos. E por cima de tudo, ainda tem dirigentes com egos desproporcionais, pessoas que querem só aparecer."

Nesta quarta-feira, aumentaram os boatos de que, diante da crise e das violências, o regime estaria prestes a convocar eleições presidenciais antecipadas com a participação de quem quisesse se candidatar, inclusive o atual presidente, e sob a supervisão internacional. Mas lideranças europeias, americanas e árabes já se anteciparam em recusar esta alternativa sem a saída prévia do ditador.

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