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Artigo publicado em 02 de Setembro de 2012 - Atualizado em 02 de Setembro de 2012

Nobel da Paz defende julgamento de Bush e Blair pela guerra no Iraque

Desmond Tutu, arcebispo sul-africano e Prêmio Nobel da Paz, em fotografia de novembro de 2011.
Desmond Tutu, arcebispo sul-africano e Prêmio Nobel da Paz, em fotografia de novembro de 2011.
Getty Images

O arcebispo sul-africano e Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, disse em um artigo publicado neste domingo pelo diário The Observer que o ex-presidente americano George Bush e o ex-premiê britânico Tony Blair deveriam ser julgados no Tribunal Penal da ONU, em Haia, pela guerra no Iraque, que foi baseada, segundo o arcebispo, em uma “mentira”. Em comunicado, Blair respondeu que se trata de uma “velho refrão”.

No jornal, Desmond Tutu explicou as razões por ter cancelado sua participação em uma Conferência em Johanesburgo que terá a participação de Tony Blair. O arcebispo acusa o ex-premiê britânico e o americano George Bush de terem mentido ao usar o pretexto da presença de armas de destruição de massa no Iraque para justificar a invasão do país, sendo que o único objetivo deles era “eliminar Saddam Hussein”, o ex-presidente do país.

Desmond Tutu estima que Blair e Bush contribuiram desta maneira a “desestabilizar e polarizar o mundo em um nível nunca antes visto por nenhum conflito da história”.  Em seu artigo, ele também citou números da guerra do Iraque que teria provocado a morte de 6,5 pessoas diariamente, vítimas de atentados suicidas e de explosões de veículos.

“Mais de 110 mil iraquianos morreram no conflito desde 2003 e milhões tiveram que deixar suas casas”, e no fim de 2011, “cerca de 4.500 soldados americanos foram mortos e mais de 32 mil ficaram feridos”, segundo o arcebispo.

“Só por esses dados, em um mundo coerente, os responsáveis por esse sofrimento e pelas perdas de vidas humanas deveriam seguir o mesmo caminho que alguns de seus pares africanos e asiáticos que tiveram que responder por seus atos (diante do Tribunal Penal Internacional) em Haia”, afirmou.

“Os bons dirigentes são guardiães da moral” e “ a questão não é de saber se Saddam Hussein era bom ou mau, ou quantos pessoas de seu povo ele massacrou. A questão é que George Bush e Tony Blair não deveriam nunca ter se rebaixado a tal nível de imoralidade”, afirmou Desmond Tutu.

Em resposta através de um comunicado na internet, Tony Blair, afirmou que apesar de todo o respeito que mantém pelo arcebispo por seu combate contra o apartheid, qualificou as acusações de mentira como um “velho refrão”, argumentando que “todas as investigações independentes demonstraram o contrário”, segundo ele.

Blair também julgou "estranho" da parte do arcebispo considerar que todos os massacres cometidos por Saddam Hussein contra seu povo "não tenham nenhuma ligação com a moral”. Segundo o ex-premiê, o debate se repete sem nada de novo a acrescentar e ele ironiza dizendo que “numa democracia saudável, as pessoas podem estar de acordo para não estarem de acordo”.

"Apesar dos problemas, a economia do Iraque é agora, pelo menos três vezes maior do antes, e a mortalidade infantil foi reduzida em um terço ", concluiu Blair.
 

tags: George Walker Bush - Guerra - Iraque - ONU - TPI
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Comentários (1)

Reitero " ipse literis " o dito pelo Nobel da Paz.

Olá amigos da RFI, houve excesso em demasia sim a mando dessa dupla INFERNAL, ou seja, Bush e Blair pois nós que assistimos sentimos um ataque maciço onde os civis eram alvejados ( crianças, mulheres e velhos ), de início uma investida do mar ao território pra depois seguir-se de uma invasão em território praticamente deserto; Daí a assertiva do arcebispo DESMOND TUTU ir de encontro a verdade dos acontecimentos no Iraque, portanto, tanto o americano como o inglês devem sentar-se no banco do réus POR CRIME CONTRA A HUMANIDADE.

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