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Artigo publicado em 03 de Setembro de 2012 - Atualizado em 03 de Setembro de 2012

Jornalista americano lança site de reportagens investigativas

Taíssa Stivanin

Um novo site que será lançado no próximo mês nos Estados Unidos abre espaço para o jornalismo investigativo na Internet. Uma das ideias do Narratively é mostrar que as longas reportagens não morreram, apesar do advento das novas tecnologias, que incitam à rapidez na divulgação das informações. Na França, iniciativas parecidas também fazem sucesso graças a modelos econômicos alternativos.

 

Que o jornalismo é uma profissão em mutação, o leitor já sabe. Que o ato de informar, hoje, não é mais uma prerrogativa dos jornalistas, também. Blogs, redes sociais como Twitter e Facebook, e diversas outras ferramentas, são o motor de uma transformação profunda da profissão : de um lado, a banalização, consequência de uma concorrência desenfreada, de outro, infinitas possibilidades para o exercício da profissão. Mas o jornalismo investigativo não morreu. Diversos sites começam a abrir espaço para longas reportagens, como é o caso do francês OWNI, do americano ProPublica, e, mais recentemente, o americano Narratively, que deve ser lançado no próximo mês pelo jornalista independente Noah Rosenberg. O jornalista francês Jean Marc Manach, especialista em novas tecnologias, conversou com a RFI sobre a tendência.

Você acredita que as redes sociais contribuíram para reforçar a ideia de que qualquer um pode se tornar jornalista?

Jean Marc Manach: Não é porque publicamos alguma coisa no Twitter ou no Facebook que nos tornamos jornalistas. Mas, por outro lado, as redes sociais são algo extraordinário, porque possibilitam o crowdsourcing, como dizemos, que propõe a participação dos leitores na realização de uma reportagem, como já faz o The Guardian. Isso ajuda a enxergar os erros e corrigi-los rapidamente. Em geral, as redes sociais são uma ferramenta valiosa para os jornalistas, porque, desta forma, a informação também pode circular.

Você acha que os jornalistas sabem utilizar a Internet ?

JMM: Alguns sabem e outros não. Em todo caso, agora já faz 3 ou 3 anos que muitos jornalistas estão presentes no Twitter, por exemplo. Eles entenderam que se trata de uma ferramenta formidável para apurar as informações e depois divulgá-las, para que mais mais pessoas possam ler nossas matérias. Existe um número cada vez maior de jornalistas que se informam sobre um assunto antes dele vir à tona, e isso graças ao Twitter.

Existem sites especializados em jornalismo investigativo na França, como existe nos Estados Unidos ?

JMM: Nos Estados Unidos temos o Pro Publica, que é bastante conhecido. Na França, temos o OWNI, que faz longas reportagens investigativas, ou anida o Mediapart. Cada vez mais, sites que não são considerados oficialmente como veículos, e não possuem jornalistas assalariados, abrem espaço para reportagens investigativas. Um dos exemplos é o Reflet.info, que realiza longas investigações sobre assuntos variados.

Existe um modelo econômico para esse tipo de jornalismo?

JMM: Não existe apenas um modelo econômico, existem diversos modelos econômicos. ProPublica, nos Estados Unidos, por exemplo, é uma fundação, Reflet, é trabalho voluntário, nós, no OWNI, trabalhamos com a TV, editamos livros, temos parcerias com rádios ou outros jornais. Não existe um modelo fechado.

Existe a necessidade de investir na formação de jornalistas no futuro ?

JMM: Há alguns anos as escolas de jornalismo começaram a se interessar pela Internet. Para mim é insuficiente, não ensinamos para os jovens jornalistas como investigar na rede, para ter acesso a todo tipo de informação e aos bancos de dados. Existem ferramentas que são um verdadeiro sonho para qualquer jornalista investigativo. Sem entender essas ferramentas, os jornalistas vão acabar tendo leitores não-jornalistas que sabem se informar melhor do que eles próprios. Nunca tivemos tantas ferramentas à disposição para investigar, e não saber utilizá-las, é quase um suicídio profissional. O que eu vejo, e isso é uma pena, são jornalistas que não sabem trabalhar, que não apuram bem as informações, ou se contentam em copiar os boletins das agências. Isso é o que afasta o leitor, e é isso que faz que um número cada vez maior de pessoas acreditarem que não podemos confiar nos jornalistas. Não é culpa da Internet, é culpa dos jornalistas.
 

tags: Estados Unidos - França - Jornalismo - Paris
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