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Artigo publicado em 10 de Outubro de 2012 - Atualizado em 10 de Outubro de 2012

Filhos de imigrantes se sentem franceses mas sentem discriminação

Capa do jornal francês Le Parisien desta quarta-feira, (10)
Capa do jornal francês Le Parisien desta quarta-feira, (10)
leparisien.fr

Elcio Ramalho

Único jornal a circular nesta quarta-feira, devido a um movimento de greve que atinge a distribuição dos jornais na França, o Le Parisien estampa em sua manchete o resultado de um estudo sobre a integração dos imigrantes no país. A constatação é positiva, afirma ou jornal ao informar que cada 10 filhos ou netos de imigrantes, 9 dizem que se consideram franceses e vivem melhor do que seus pais e avós.

O estudo inédito do Instituto Nacional de Estatísticas, feito em Paris e sua região, derruba vários clichês, escreve o Le Parisien em sua manchete. Apesar do sentimento de discriminação que ainda persiste, os representantes da chamada segunda ou terceira geração de imigrantes estudam por mais tempo e têm um status social mais elevado que seus pais, diz Le Parisien.

Se por um lado 90% dos entrevistados da pesquisa se consideram franceses, têm mais diplomas e ganham mais que seus pais, por outro, eles se consideram prejudicados quando comparados a pessoas que, por exemplo, têm nomes tipicamente franceses. Por isso, 67% dos filhos de imigrantes estimam que não são totalmente reconhecidos como franceses, principalmente devido a cor da pele. Moussa e Mamadou, dois jovens ouvidos pelo Le Parisien disseram se sentem imigrantes quando voltam aos países de origem de seus pais, o Mali e o Senegal. "A França é o nosso país", afirmaram ao jornal.

O sociólogo Michel Wieviorka disse ao Le Parisien que o forte desejo de integração dos descendentes de imigrantes, revelado pela pesquisa, é uma vitória da República francesa. Mas, ao mesmo tempo, eles têm o sentimento de que a inserção social não é fácil. Para o sociólogo, o problema não são os imigrantes e seus descendentes, e sim, o olhar do resto da sociedade sobre eles, impregnado de um novo tipo de racismo. Michel Wieviorka sugere que a sociedade francesa mude o olhar sobre ela mesma ao invés de continuar a desqualificar a população de imigrantes do país.
 

tags: Discriminação - França - Imigração - Imprensa
Comentários (1)

integraçao ou falta de compreensao ?

Os franceses sem nenhuma origem estrangeira não admitam uma realidade fundamental para a integração dos franceses com dupla cultura. No geral, o desconhecimento profundo de outras culturas prejudica as comunidades linguísticas nacionais. A maioria dos filhos de emigrantes se identificam na cultura francesa mas acabam por rejeitar uma ou outra identidade, como se a identidade francesa fosse incompatível com outras identidades. A tendência monoidentitaria do "pensamento francês" faz que essas pessoas sejam vistas como estrangeiros no seu proprio pais !!! Tenho orgulho de ser Luso-Francês e não simplesmente Franco-Français

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