30 de Abril de 2014
Cozinha tem mais bactérias que banheiro, apontam estudos
Geladeiras sujas são locais propícios para a proliferação de germes.
Geladeiras sujas são locais propícios para a proliferação de germes.
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Patricia Moribe

Pesquisas internacionais confirmam que a cozinha é o local mais perigoso de uma casa em termos de germes e bactérias, ao contrário do banheiro, como costuma pensar. Um estudo suíço recente analisou tábuas de cozinha em casas da França, Suíça e Alemanha. Bactérias potencialmente nocivas foram encontradas em três quartos das tábuas.

Maria Teresa Destro, diretora de assuntos científicos da Biomérieux, do setor de diagnósticos in vitro, e professora aposentada de microbiologia de alimentos da USP, explica que o banheiro é menos perigoso porque o uso constante da água para descarga da privada e da pia diminuem os riscos de contaminação. “Todo alimento tem uma carga de bactéria, o que é normal e saudável, mas alguns germes podem ser nocivos", explica a especialista.

Ela recomenda um ritual de limpeza na cozinha, principalmente na bancada e utensílios, que devem ser sempre higienizados após contato com alimentos. As esponjas devem ser bem lavadas após uso, além de esterilizadas no micro-ondas e trocadas regularmente. Maria Teresa alerta para o perigo de animais de estimação, principalmente gatos, que podem subir e andar em cima de mesas. Numa geladeira, que também deve ser regularmente higienizada, alimentos frescos, principalmente carnes, devem ir na parte de baixo, para evitar o risco de “pingar” sobre outras comidas.

Um estudo de 2011 da NSF (National Sanitation Foundation) International, ONG que promove o desenvolvimento de técnicas para melhorar a saúde da população, apontou a cozinha como local mais perigoso de uma casa em termos de germes e bactérias potencialmente nocivos. Um outro levantamento, realizado em 2013, pesquisou os locais mais críticos de uma cozinha.

Esponjas, bancadas e pias

Cheryl Luptowski, especialista da NSF em segurança doméstica, explica que os locais úmidos, quentes e escuros são propícios para a proliferação de germes, como esponjas de cozinha, gavetas e prateleiras de geladeira onde são colocados alimentos frescos, tábuas de cortar e bancadas. “Metade das pias e um terço de bancadas que analisamos apresentavam bactérias do tipo coliforme ou salmonela”, diz.

A pesquisadora americana conta que os entrevistados pensam no prato de micro-ondas como um lugar sujo, e por causa dessa percepção, elas acabam limpando a área com frequência, eliminando riscos maiores. O importante, afirma Cheryl, é “limpar bem todas as superfícies que entram em contato com a comida, incluindo prateleiras, gavetas de geladeira, aparelhos e louça”. Ela cita ainda aparelhos que favorecem a multiplicação de germes, como liquidificadores e processadores de alimentos, que muitas vezes não são desmontados na limpeza ou são remontados e guardados no fundo de um armário ainda úmidos.

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