Dominque Strauss-Kahn/escandâlo - 
Artigo publicado em 01 de Julho de 2011 - Atualizado em 01 de Julho de 2011

Suposta vítima de Strauss-Kahn mentiu nos depoimentos, diz NYT

A credibilidade da acusadora de DSK apresenta falhas graves.
A credibilidade da acusadora de DSK apresenta falhas graves.
Reuters

Adriana Brandão

Segundo o jornal americano The New York Times, que cita fontes ligadas ao caso, a promotoria tem sérias suspeitas sobre a credibilidade da suposta vítima do ex-diretor do FMI, que poderia deixar sua prisão domiciliar ainda nesta sexta-feira. A camareira do hotel Sofitel, que acusa o ex-patrão do FMI de tê-la agredido sexualmente no dia 14 de maio, teria mentido várias vezes em seus depoimentos.

Nafissatou Diallo, 32 anos, teria fornecido falsas informações para obter sua permanência nos Estados Unidos, além de ter ligações com uma rede de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os investigadores descobriram que vários depósitos, que totalizam U$ 100.000, foram feitos na conta da camareira nos últimos dois anos. Um dos depósitos foi realizado por um traficante de drogas, atualmente detido, com quem a camareira guineense conversou pelo telefone no dia seguinte da suposta agressão. Na conversa, gravada pelos investigadores, ela comentou que poderia ganhar muito dinheiro se mantivesse as acusações contra Strauss-Kahn.

As revelações do jornal americano The New York Times, que podem invalidar todas as acusações contra o ex-chefe do FMI, devem repercutir na audiência surpresa de Strauss-Kahn esta tarde. Os advogados do francês vão pedir o fim de sua prisão domiciliar e devem ter o pedido atendido pela justiça, segundo o jornal americano. Ainda de acordo com o The New York Times, o promotor Cyrus R. Vance Jr, 56 anos, deverá dizer ao juiz “que tem problemas com o caso” por conta das últimas descobertas dos investigadores. Desde o início, o ex-patrão do FMI afirma que é inocente e a relação sexual com a camareira foi consentida. O escândalo obrigou Strauss-Kahn a pedir demissão da direção do Fundo Monetário Internacional, assumida pela ministra francesa Christine Lagarde, e acabou com suas pretensões de candidatar-se às presidenciais na França, que acontecem em 2012.

A reviravolta no caso pegou os socialistas de surpresa. Strauss-Kahn, favorito às eleições presidenciais antes do escândalo, poderia voltar à cena política. Existe entretanto um problema de calendário : a data limite para o depósito das candidaturas para as primárias socialistas, previstas para o dia 9 de outubro termina no próximo 13 de julho. Alguns analistas da imprensa francesa acreditam que, se ele for inocentado e o PS vencer as presidenciais francesas, Strauss-Kahn poderia ser indicado ao cargo de primeiro-ministro.
 

tags: Dominique Strauss-Kahn - Escândalo - Estados Unidos - FMI
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