Líbia/intervenção militar - 
Artigo publicado em 15 de Julho de 2011 - Atualizado em 15 de Julho de 2011

Grupo de contato para Líbia inicia negociações para saída de Kadafi

A Secretária de Estado americana, Hillary Clinton e o Ministro das Relações Exteriores, William Hague, em Istanbul (15/07/2011).
A Secretária de Estado americana, Hillary Clinton e o Ministro das Relações Exteriores, William Hague, em Istanbul (15/07/2011).
Reuters

Taíssa Stivanin

Durante uma reunião em Istambul, na Turquia, o grupo de contato para a Líbia, formado pelos países que participam da intervenção militar no país, anunciou que um enviado da ONU fará ao regime uma proposta concreta para Kadafi deixar o poder. O grupo também reconhece Conselho Nacional de Transição, que representa os rebeldes, como a autoridade legítima da Líbia.

No esboço da declaração final do encontro, entregue à imprensa, o grupo anuncia que Kadafi deverá deixar o poder, "seguindo etapas bem definidas que serão anunciadas publicamente." O enviado especial da ONU na Líbia, Ilah al-Khatib, deverá explicar ao regime líbio em quais condições Kadafi deverá deixar o poder, disse o chanceler britânico, William Hague. "O emissário adquiriu um papel fundamental durante a reunião e nós o consideramos como um canal de negociações que pode resultar numa solução política, mesmo se a pressão militar continua", declarou.

Os países também pedem que O CNT (Conselho Nacional de Transição), estabeleça o mais rápido possível  um governo de transição. A secretária de estado norte-americana, Hillary Clinton, aproveitou para anunciar que os Estados Unidos reconhecem oficialmente o CNT, que deu garantias sobre uma futura reforma democrática no país.

Segundo o ministro italiano das relações exteriores, Franco Frattini, o reconhecimento do CNT como representante legítimo dos líbios é uma maneira de obrigar Kadafi a deixar o poder. "Ele não terá outra opção", declarou. Com a decisão, os rebeldes também terão acesso a alguns recursos do estado líbio que foram congelados no exterior, resultado de uma das sanções adotadas em fevereiro pelo Conselho de Segurança da ONU, explicou o chanceler francês, Alain Juppé. Mahmoud Shammam, representante do CNT presente ao encontro, declarou que os rebeldes precisam de pelo menos 3 bilhões de dólares para dar continuidade ao combate.

As operações militares contra o regime líbio serão intensificadas, apesar do Ramadã, o jejum praticado pelos muçulmanos, que começa no dia primeiro de agosto. Nesta quinta-feira, os rebeldes consolidaram as posições no oeste do país, perto da cidade de Al-Assabaa, a 80 quilômetros no sul de Tripoli, e agora avançam em direção a Brega, onde estão situados importantes campos de petróleo. O conflito na Líbia, que começou no dia 15 de fevereiro, já deixou entre 10 e 15 mil mortos, segundo organizações internacionais. Cerca de 1 milhão de pessoas já fugiram o país.
 

tags: Estados Unidos - França - Guerra - Líbia
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