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Artigo publicado em 17 de Outubro de 2011 - Atualizado em 17 de Outubro de 2011

Gaza se prepara para receber prisioneiros libertados por Israel

Mulheres palestinas carregam fotos de seus filhos detidos em prisões israelenses, durante manifestação na sede da  Cruz Vermelha, em Gaza, nesta segunda-feira.
Mulheres palestinas carregam fotos de seus filhos detidos em prisões israelenses, durante manifestação na sede da Cruz Vermelha, em Gaza, nesta segunda-feira.
REUTERS/Mohammed Salem

RFI

As famílias dos prisioneiros e militantes de diferentes facções enfeitaram as principais ruas de Gaza com bandeiras, bandeirolas e fotos para receber nesta terça-feira os prisoneiros libertados por Israel em troca do soldado Shalit. Khaled Mechaal, líder do Hamas exilado no Egito, vai recepcionar nesse país os prisioneiros que serão banidos para o exterior.

Um responsável do movimento islamista, Ezzat al-Rachk, precisou hoje que o soldado Shalit vai permanecer em poder do Hamas até que a organização se certifique de que os prisioneiros palestinos foram entregues ao Egito.

Segundo o acordo concluído graças à mediação do governo egípcio entre Israel e o Hamas, que controla a faixa de Gaza, um primeiro grupo de 477 prisoneiros deve ser libertado ao mesmo tempo que Gilad Shalit. Um segundo grupo de 550 prisioneiros palestinos será colocado em liberdade no prazo de dois meses.

Do primeiro grupo de prisioneiros, 205 residentes da Cisjordânia ou de Jerusalém-Leste serão banidos, 164 para Gaza e 41 para o exterior.

Ezzat al-Rachk afirmou que "um certo número de países, entre eles a Síria, o Qatar e a Turquia, manifestaram o desejo de acolher os prisioneiros".

"As celebrações em Gaza e na Cisjordânia serão uma festa nacional", acrescentou ele, em alusão à rivalidade entre o Hamas e o Fatah, o movimento do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

A Autoridade Palestina expressou alegria pela libertação dos prisioneiros, mas deplorou que o Hamas tenha aceitado o banimento de mais de 200 deles, uma condição até então recusada pelo movimento islamista.

Prisioneiros

O ministério palestino dos Prisioneiros estima que o número de palestinos detidos em Israel seja maior que 5. 800, dos quais 35 mulheres, 285 menores de idade e 260 detidos sem acusação, sob o regime da detenção administrativa. Entre eles estão 22 deputados do Conselho legislativo palestino, dos quais 19 pertencem ao Hamas islamista, que detém a maioria das cadeiras.

Já as estatísticas fornecidas pela administração penitenciária e o exército israelense à organização de defesa dos direitos humanos B'Tselem recenseavam no final de agosto 5.204 prisioneiros palestinos em Israel, dos quais 29 mulheres e 176 menores de idade, assim como 272 em detenção administrativa, entre os quais três mulheres.

Desde o início da ocupação israelense dos territórios palestinos em 1967, cerca de 70 mil palestinos foram detidos lá pelo exército israelense, o que equivale a cerca de 20% da população total e 40% da população masculina, segundo documentos oficiais palestinos.

Israel prendeu mais de 13 mil palestinos entre 1993 e 2001 (anos do processo de paz de Oslo) e 50 mil desde o início da segunda Intifada, em setembro de 2000.

tags: Autoridade Palestina - Faixa de Gaza - Hamas - Israel
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