Egito/Legislativas - 
Artigo publicado em 04 de Dezembro de 2011 - Atualizado em 04 de Dezembro de 2011

Islâmicos vencem eleições com 65% dos votos no Egito

Mulheres egícias adeptas da tradição salafista, corrente ultraconservadora do islamismo.
Mulheres egícias adeptas da tradição salafista, corrente ultraconservadora do islamismo.
REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

Três partidos islâmicos (PLD, da Irmandade Muçulmana, Al Nour e Wassat) venceram a primeira etapa das eleições legislativas realizadas no Egito com 65% dos votos. O bloco laico liberal chegou em terceiro lugar, segundo dados oficiais divulgados hoje pelas autoridades eleitorais egípcias.

O Partido Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana, obteve 36,62% dos votos, o equivalente a 3,5 milhões de eleitores. Os ultraconservadores do partido salafista Al Nour tiveram a confiança de 24,36% do eleitorado, com 2,3 milhões de votantes. A coalizão islâmica é reforçada pelo desempenho de 4,27% do partido Wassat, ou seja, 416 mil eleitores. 

Esses são os resultados oficiais da primeira etapa das legislativas egípcias, realizadas em um terço das regiões administrativas, onde ficam as cidades do Cairo e Alexandria, principais centros urbanos do país. Os liberais aparecem como grandes derrotados da votação, com apenas 13,35% da preferência, o equivalente a 1,2 milhão de votos.

O porta-voz do partido da Irmandade Muçulmana declarou que o Egito precisa da cooperação de todos para superar a crise política e as violências desencadeadas após a queda do regime de Hosni Moubarak. Os islâmicos vão tentar aumentar ainda mais suas bancadas no futuro parlamento na segunda etapa da votação, que começa nesta segunda-feira. 

Desenhada a hegemonia dos partidos islâmicos, a briga daqui para a frente será entre o islamismo moderado e o islamismo dogmático na orientação política do país. Os candidatos da Irmandade Muçulmana, que se apresentam como moderados, vão tentar reduzir a influência dos fundamentalistas do Al Nour, que defendem a aplicação à risca das recomendações do Alcorão, como a segregação entre homens e mulheres no mercado de trabalho. 

O número de cadeiras de cada partido só será anunciado ao final do processo eleitoral. Novas votações estão previstas de 29 de janeiro a 11 de março, quando ocorrerá a eleição da Câmara Alta do Parlamento. 

 

tags: Egito - Eleições legislativas - Hosni Mubarak - Manifestação - Primavera Árabe
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