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Artigo publicado em 11 de Janeiro de 2012 - Atualizado em 11 de Janeiro de 2012

Dois anos depois do terremoto, reconstrução ainda é lenta no Haiti

Um soldado brasileiro da Minustah,Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti.
Um soldado brasileiro da Minustah,Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti.
Wikimedia

Taíssa Stivanin

Dois anos depois do terremoto que deixou cerca 230 mil mortos, 300 mil feridos e pelo menos 1 milhão e 200 mil desabrigados no dia 12 de janeiro de 2010, o país ainda enfrenta muitas dificuldades para se reconstruir. Além das dificuldades estruturais, os haitianos são vítimas do cólera, que tomou conta do país após o tremor de terra. A epidemia já teria deixado cerca de 500 mil mortos, até o fim de 2011 segundo estimativas da OMS.

As organizações não-governamentais presentes no Haiti multiplicam os programas de assistência para dar à população condições mínimas de vida, mas gostariam que a comunidade internacional continuasse tão envolvida na reconstrução do país como na época do terremoto.

Pelo menos essa é a opinião do antropológo Rubem Cesar Fernandes, diretor da Viva Rio, organização presente no país desde 2004. “A resposta internacional foi muito forte e ágil, eficiente, em um momento de emergência, logo depois do terremoto, e até uns três meses depois", diz. Mas, segundo ele, depois da Conferência de Doadores para o Haiti, em Nova York, que definiu um valor de 3,8 bilhões para a reconstrução no país, "é como se o tempo tivesse parado. A reconstrução é muito lenta, os mecanismos internacionais são muito pouco eficientes. Foi algo que aprendi : ou você tem uma resposta emergencial, e aí há competência e capacidade e investimentos, ou então programas de desenvolvimento de longo prazo."

Para o diretor, não há instrumentos adequados para a reconstrução, e a Comissão de Reconstrução Interina, criada para esse fim, é limitada. Além disso, ressalta, a mudança de governo no país entre 2010 e 2011, dificulta o trabalho. "Passamos quase o ano inteiro de 2011 em transição", diz Fernandes.

Depois de uma eleição presidencial contestada, envolvendo denúncias de fraudes, o ex-cantor Michel Martelly foi confirmado vencedor em abril de 2011. "Do ponto de vista das instituições haitianas, foi um ano de transição, não de realização. E do ponto de vista das instituições internacionais, há ainda um ajuste às necessidades de reconstituição. Minha esperança é que 2012 seja melhor, e acredito que irá, porque os mecanismos estão mais ajustados", diz.

No país desde 2004, a ONG atua no bairro de Bel Air, região onde funcionava um centro comercial e cultural da capital, que se tornou uma das áreas mais pobres do país, sem infraestrutura mínima. “Depois do terremoto, nossa base de 25 mil metros quadrados foi tomada pelos desabrigados", disse. "Conseguimos negociar uma saída voluntária para que voltássemos a trabalhar em abril. De lá para cá tivemos que ampliar nosso trabalho, hoje estamos em quatro áreas."

Rubem Cesar Fernandes, diretor da ONG Viva Rio
 
11/01/2012
 
 

Um dos projetos atuais da Viva Rio é desenvolver um programa de ecoturismo perto do litoral, para possibilitar a geração de renda. Para ajudar na reconstrução, a ONG também esta envolvida na capacitação de mão de obra local, o que inclui uma escola de formação em construção civil.

Brasil pode diminuir contigente da Minustah em 2012

O governo brasileiro poderá diminuir o contigente de militares brasileiros no Haiti a partir de março de 2012. O país está no comando da Minustah, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti.

Tovar da Silva Nunes, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores
 
11/01/2012
 
 

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Tovar da Silva Nunes, o Brasil está disposto a aumentar a cooperação na área agrícola, energia e saúde em detrimento da militar.“A presença das forças brasileiras e de outros países se dá na medida no desejo do país. E há o desejo de agregar em outras áreas, declara.

 

tags: Haiti - Reconstrução - Terremoto
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