Síria/Crise política - 
Artigo publicado em 08 de Fevereiro de 2012 - Atualizado em 08 de Fevereiro de 2012

Turquia propõe conferência internacional sobre a Síria

Sírio mostra restos de bombas e armamentos ao lado de residências destruídas nesta quarta-feira, em Homs.
Sírio mostra restos de bombas e armamentos ao lado de residências destruídas nesta quarta-feira, em Homs.
REUTERS/Mulham Alnader/Handout

O ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, propôs nesta quarta-feira a realização de uma conferência internacional para dar apoio à população da Síria, submetida à repressão sangrenta do regime do ditador Bashar al-Assad.

O ministro turco argumentou que diante do fracasso do Conselho de Segurança da ONU em aprovar uma resolução para proteger os sírios, cabe aos governos solidários com a população síria achar uma outra forma de proteger os civis. O premiê Recep Tayyp Erdogan falou hoje por telefone com o presidente russo, Dmitri Medvedev, e pediu a ele que coopere para restabelecer a paz na Síria. Medvedev considera que o Conselho de Segurança deve continuar na articulação política, mas para ajudar os sírios a resolver por si mesmos a crise interna do regime de Assad.

"Está na hora de enviar uma mensagem forte aos sírios de que nós estamos do lado deles", afirmou o chefe da diplomacia turca. A Turquia se oferece para sediar a conferência, mas também aceita a iniciativa vinda de outro país. "O importante é demonstrarmos nossa preocupação, nossa solidariedade com os sírios", reiterou o ministro.

Os governos da França e do Reino Unido receberam com ceticismo as promessas feitas por Bashar al-Assad à Rússia. O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse que não acreditava "de jeito nenhum" na promessa feita por Assad ao chanceler russo, Serguei Lavrov, de pôr fim à violência. "É uma manipulação", afirmou Juppé, estimando ainda que o governo russo está completamente enganado em sua avaliação sobre a crise política na Síria.

O temor de que os ocidentais poderiam efetuar uma intervenção militar com o aval da ONU, como aconteceu na Líbia, foi rejeitado por Juppé como um "pretexto falacioso" dos russos. "É realmente uma manipulação política de Bashar al-Assad. Depois de massacrar 6 mil cidadãos, não se tem mais legitimidade", disse o chanceler francês.

Ele reafirmou que a União Europeia estuda novas sanções contra a Síria, especialmente para tornar mais difíceis as atividades do Banco Central sírio. Segundo fontes diplomáticas, os 27 países do bloco já fecharam o acordo e estão detalhando as medidas. Entre elas estão o embargo às importações de fosfato sírio, uma das principais reservas minerais do país, assim como as importações de diamantes, ouro e outros metais preciosos.

Já o premiê britânico, David Cameron, declarou que tem uma "confiança limitada" nos resultados da missão do chanceler russo à Síria. "A Rússia deveria fazer um exame de consciência e realizar o que ela fez" vetando a resolução árabe e ocidental na ONU.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, órgão fundado por opositores para monitorar as consequências da repressão, informou que a cidade de Zabadani, próxima de Damasco, enfrentou hoje o sétimo dia consecutivo de bombardeios e de pilhagem com armas de artilharia. Pelo menos cem obuses atingiram bairros da cidade nas primeiras horas desta quarta-feira.

Em Homs, onde o regime também não dá trégua aos bombardeios, pelo menos 50 civis morreram nesta quarta-feira.

tags: Bashar al-Assad - Ditadura - Militante - Repressão - Rússia - Turquia - Violência
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