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Artigo publicado em 30 de Junho de 2012 - Atualizado em 01 de Julho de 2012

Primeiro presidente islamita do Egito toma posse

Cerimônia de posse de Mohamed Morsi, novo presidente egípcio
Cerimônia de posse de Mohamed Morsi, novo presidente egípcio
REUTERS/Egyptian Television

RFI

O novo presidente egípcio, Mohammed Mursi, tomou posse neste sábado durante uma cerimônia no Cairo, e prestou juramento na Alta Corte Constitucional. O ex-líder do braço político da Irmandade Muçulmana, eleito em 17 de junho, sucede Hosni Mubarak, derrubado do poder depois da revolta popular de 2011.

Diante de uma multidão na praça Tahir, símbolo da revolução egípcia, Mursi se comprometeu a “preservar o sistema republicano, respeitar a Constituição e a lei e proteger inteiramente os interesses do povo.” Ele também prometeu que o exército voltará à sua atuação de origem, ''de proteção e segurança das fronteiras do país." Uma junta militar governou o Egito nos 16 meses que sucederam a queda de Mubarak.O governo militar gerou uma onda de protestos no país, já que os manifestantes acusavam as forças armadas de tentativa de golpe de estado.

Depois da cerimônia da posse, o presidente da Corte Constitucional, Farouq Soltane, desejou ‘sucesso’ ao novo presidente em sua ‘’difícil missão.’’ Mursi venceu o primeiro-ministro de Hosni Mubarak, Ahmad Chafiq, nas eleições presidenciais, obtendo 51,73% dos votos. Durante a campanha, o novo presidente se apresentou como o ‘’único candidato islâmico’’, mas tentou amenizar a imagem radical que gerou desconfiança em parte do eleitorado. Ele prometeu, por exemplo, a garantir os direitos dos cristãos coptas, não obrigar as mulheres a usar o véu muçulmano, e respeitar os tratados internacionais assinados pelo Egito, entre eles o de paz, selado com Israel em 1979.

Um pouco mais tarde, em outro discurso na universidade do Cairo, Mursi defendeu os direitos dos palestinos e pediu o fim da violência na Síria. Ele voltou a afirmar que será o presidente de todos os egípcios, "cristãos e muçulmanos", e defendeu liberdade, justiça e dignidade humana à população. "Nós trabalharemos juntos para encorajar novos investimentos e o turismo" prometeu.

Poderes limitados

A legenda de Mursi, o partido da Liberdade e da Justiça, beneficiou do apoio da Irmandade Muçulmana e obteve quase a metade das cadeiras dos deputados nas eleições legislativas, em janeiro. Mas o pleito foi anulado pelo Tribunal de Justiça depois da constatação de irregularidades, e o Parlamento foi dissolvido. A decisão beneficiou os militares da Junta, que voltaram a ser maioria na Casa, e garantiram desta forma o direito de veto, inclusive na redação da nova Constituição do país. O novo presidente egípcio terá, desta forma, que negociar suas decisões com as forças armadas, o que pode gerar novas tensões políticas no país.

 

tags: Egito - Presidência - Protestos
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