Líbia/ eleições - 
Artigo publicado em 07 de Julho de 2012 - Atualizado em 07 de Julho de 2012

Uma pessoa é morta durante eleições históricas na Líbia

Líbia comemora votação em meio a bandeiras da revolução.
Líbia comemora votação em meio a bandeiras da revolução.
REUTERS/Zohra Bensemra

RFI

As primeiras eleições na Líbia em quase 60 anos transcorreram bem em 98% das seções eleitorais, conforme a Comissão Eleitoral, assessorada por observadores da ONU e de ONGs. Entretanto, uma pessoa morreu e outra ficou ferida neste sábado, quando um homem que ainda não foi identificado abriu fogo nas proximidades de um colégio eleitoral no leste do país, disse um policial.

O ataque aconteceu na cidade de Ajdabiya, palco de numerosos incidentes durante os comícios para eleger a primeira Assembleia Nacional do país, após décadas de ditadura de Muammar Kadafi, deposto e assassinado outubro de 2011. Os colégios eleitorais começaram a fechar suas portas às 20h (15h de Brasília) em Trípoli e Benghazi (leste), a cidade que iniciou os levantes contra o regime. Números preliminares apontam a participação de 60% do eleitorado.

O chefe da Comissão Eleitoral, Nuri al-Abar, afirmou que em "alguns centros de votação tiveram que fechar as portas durante uma parte do dia no leste”. A semana foi marcada por tensões no leste do país, onde os partidários de uma maior autonomia pedieram o boicote da votação e ameaçaram sabotar as eleições para denunciar a divisão de cadeiras da futura assembleia (100 vagas para o oeste, 60 para o leste e 40 para o sul).

Al-Abar declarou que 98% dos locais de votação funcionaram normalmente, embora cerca de 100 das 1.554 seções eleitorais não tenham podido abrir as portas devido à insegurança. Apesar dos incidentes e da morte, o clima era de festa na maior parte dos locais de votação. “A minha alegria é indescritível. É um dia histórico”, comemorou Fawziya Omran, 40 anos,em frente a uma escola da capital, Trípoli. “Me sinto um cidadão livre”, disse Ali Abdallah Derwich, 80 anos, em uma cadeira de rodas.

Oito meses após o final do conflito armado, 2,8 milhões de eleitores estavam aptos a participar das eleições. Até às 16h (horário local), 1,2 milhões de líbios – 40% do total – já haviam votado.

Havia 2.702 candidatos, de mais de 100 partidos, para disputar as 200 vagas da nova Assembleia. As principais formações políticas são o Partido da Justiça e da Construção – derivado da Irmandade Muçulmana -, o Al-Watan, dirigido pelo controverso ex-chefe militar Abdelhakim Belhaj, e os laicos liberais, liderados pelo ex-primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mahmoud Jibril. Os islamistas esperam obter o mesmo sucesso que seus vizinhos tunisianos e egípcios, mas os prognósticos são difíceis a elaborar, devido à diversidade da população líbia.

O presidente do CNT, Moustapha Abdeljalil, votou na sua cidade natal, Baïda, no leste, e disse que o dia de hoje marca “os fundamentos de uma nova Líbia”. O conselho será extinto após a proclamação dos resultados das eleições.
 

tags: Eleição - Líbia - Muammar Kadafi - Revolução - Votação
Mais notícias sobre o mesmo assunto
Comentários
Comente este artigo
O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
To prevent automated spam submissions leave this field empty.
CAPTCHA
Esta pergunta serve para diferenciação entre computadores e humanos contra os ataques de spams. Automated spam submissions.
Close