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Artigo publicado em 10 de Julho de 2012 - Atualizado em 10 de Julho de 2012

Parlamento egípcio realiza sessão, apesar de dissolução pela Justiça

Saad al-Katatni, presidente do Parlamento do Egito dissolvido pela junta militar.
Saad al-Katatni, presidente do Parlamento do Egito dissolvido pela junta militar.
REUTERS/Asmaa Waguih

RFI

A Assembleia do Povo Egípcio, dissolvida na metade de junho pela Justiça, sob a influência da junta militar que ocupava o poder no país, se reuniu hoje de manhã após o novo presidente eleito, Mohamed Morsi, ordenar o seu restabelecimento. O funcionamento do Parlamento marca o primeiro confronto entre o governo civil, os militares e a Justiça.

O presidente da Câmara, Saad al-Katatni, do partido Irmandade Muçulmana, afirmou que os membros da Casa, eleitos pelos egípcios, debateriam “os mecanismos de aplicação” do julgamento da Alta Corte Constitucional, que considerou a Assembléia inválida. Al-Katatni assegurou que os eleitos respeitavam a lei e a Justiça.

“O Parlamento conhece muito bem seus direitos e deveres e não intervém nos poderes judiciais nem comenta os julgamentos da Justiça”, acrescentou. “Quero destacar que não estamos em contradição com o julgamento”, afirmou, antes de abrir a sessão.

A Irmandade Muçulmana, maioria, apoiou o restabelecimento do Parlamento, mas os deputados dos outros partidos, sobretudo liberais, decidiram boicotar a sessão. Alguns acusaram Morsi de promover um “golpe de Estado constitucional”.

Com a decisão do presidente da Assembleia, após decreto de Morsi assinado ontem, as Forças Armadas fizeram uma reunião de urgência e emitiram um comunicado pedindo o respeito “da lei e da Constituição” e afirmando confiar “que todas as instituições do Estado respeitarão as declarações constitucionais”. De sua parte, a Justiça declarou que “os julgamentos e as decisões da Alta Corte Constitucional são definitivos e imperativos para todas as instituições do Estado”.

Nesta manhã, os Estados Unidos pediram aos egípcios que “respeitem os princípios democráticos “ para sair do confronto. A secretária de Estado Hillary Clinton incentivou o “dialogo intensivo entre todos os protagonistas”.

“Os egípcios deveriam obter o que lutaram para ter e o que votaram, ou seja, um governo eleito que toma decisões para que o país avance”, declarou Clinton, que deve se encontrar com Morsi neste final de semana.

 

tags: Constituição - Egito - Justiça - Militar - Parlamento - Revolução
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