Síria/Massacre - 
Artigo publicado em 15 de Julho de 2012 - Atualizado em 15 de Julho de 2012

Regime sírio nega ter usado tanques e helicópteros em Treimsa

Criança ferida em bombardeio em Hula, perto de Homs, volta para casa depois de receber atendimento em hospital.
Criança ferida em bombardeio em Hula, perto de Homs, volta para casa depois de receber atendimento em hospital.
REUTERS/Shaam News Network/Handout

O regime do ditador sírio, Bashar al-Assad, negou hoje que tenha utilizado helicópteros e artilharia pesada na operação de quinta-feira em Treimsa, onde 150 pessoas morreram segundo o Observatório Sírio dos Direiros Humanos. Em entrevista neste domingo, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdessi, negou que tenha ocorrido um "massacre", conforme constataram observadores da ONU que visitaram novamente a aldeia sunita neste domingo.

O Exército "utilizou transporte de tropas do tipo BMB, armas leves e lança-foguetes. Não recorreu a aviões, nem a tanques, nem a helicópteros e nem a artilharia", disse Makdessi em Damasco. "Falar de recurso à artilharia pesada não tem fundamento", declarou o porta-voz, sublinhando que "apenas cinco imóveis foram visados".

Em uma nota dirigida ao Conselho de Segurança da ONU, o mediador Kofi Annan denunciou o uso em Treimsa "de artilharia, de tanques e de helicópteros". Os indícios foram colhidos pelos observadores das Nações Unidas que visitaram a cidade durante o fim de semana. Annan considera que a operação do Exército sírio é uma nova violação do plano de paz oficialmente aceito pelo regime.

"A carta de Kofi Annan foi muito precipitada e não se baseia nos fatos", disse Makdessi. A versão do regime é que ocorreram "combates com grupos armados terroristas": "eles atacaram a aldeia e instalaram sedes de comando, aterrorizaram e torturaram os habitantes", afirmou o porta-voz do Exército. "Não foi um ataque do Exército contra civis, mas combates entre o Exército regular e grupos armados", insistiu. Makdessi advertiu que "qualquer pessoa que se levantar contra o Estado pelas armas, vai entrar em confronto com o Exército".

Desesperados, os sírios filmam violência e pedem ajuda

A violência do regime causou a morte de pelo menos 25 pessoas na manhã deste domingo. Ontem, pelo menos 115 pessoas morreram no país, de acordo com o OSDH, que se apoia em informações fornecidas por uma rede de militantes entre os quais estão médicos e advogados. 

Entre as vítimas de hoje estão quatro civis atingidos por um foguete em casa, na cidade de Rastana. Imagens feitas no local mostram uma menina pequena, inerte, coberta de sangue. A pessoa que filma diz: "pelo amor de Deus, nos ajudem, olhem aquele ali ainda vivo", referindo-se a um homem que tem o corpo parcialmente recoberto por escombros.

Irã se oferece para sediar negociações

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, disse neste domingo que a República Islâmica está disposta a sediar conversas entre o governo sírio e grupos da oposição, em um esforço para colocar um fim ao conflito no país. A declaração pode indicar uma mudança na postura do governo iraniano, que até agora vinha apoiando a repressão comandada pelo ditador sírio para suprimir a insurreição que já dura 17 meses.

O presidente russo, Vladimir Putin, se reunirá na terça-feira em Moscou com Kofi Annan, com o intuito de dar um impulso diplomático ao plano de paz, conforme anunciou o Kremlin. A Rússia, principal aliado do regime de Damasco, tem bloqueado uma ação enérgica do Conselho de Segurança para solucionar o conflito.

tags: Bashar al-Assad - Bombardeio - Conselho de Segurança - Ditadura - Massacre - ONU - Repressão - Síria - Violência
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