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Artigo publicado em 30 de Agosto de 2012 - Atualizado em 30 de Agosto de 2012

Conflito sírio centraliza debates na cúpula dos países Não Alinhados

Cúpula dos países Não Alinhados em Teerã.
Cúpula dos países Não Alinhados em Teerã.
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RFI

O presidente egípcio Mohamed Mursi afirma que só uma intervenção militar estrangeira eficaz poderá por fim ao banho de sangue na Síria. O conflito está no centro dos debates da cúpula dos países Não Alinhados, na capital iraniana. A pedido da França, o Conselho de Segurança da ONU volta a discutir hoje a criação de uma zona tampão para proteger os refugiados.

A Cúpula dos Países Não Alinhados chega ao seu ponto alto em Teerã. Vinte e nove chefes de estado e de governo presentes discutem nesta quinta-feira, 30 de agosto, o conflito sírio e o polêmico programa nuclear iraniano, principais temas de tensão com os países ocidentais. O Irã tenta romper seu isolamento diplomático e parece estar conseguindo.

O presidente egípcio, Mohamed Mursi, participa dos debates. As relações bilaterais entre os dois países estavam rompidas há 32 anos. O Egito é um tradicional aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, mas o governo iraniano tenta convencer o novo presidente egípcio a formar uma troika Egito, Irã, Venezuela, para aumentar a influência nas negociações sobre o conflito na Síria.

Mohamed Mursi denunciou em seu discurso o regime opressivo da Síria. "Temos o dever moral" de apoiar o povo sírio contra a repressão de Bashar al-Assad, disse o presidente egípcio. Como o Irã, Mursi é a favor da criação de um grupo de mediadores sobre a Síria. O presidente do Egito preferiu por enquanto não revelar se pretende reaquecer as relações diplomáticas com o Irã, evitando assim irritar os Estados Unidos e Israel.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-monn, que também participa da cúpula contrariando a posição do governo americano, acredita que o Irã, aliado de Bashar al-Assad, possa usar sua influência para ajudar a encerrar o conflito de 17 meses na Síria. Ban Ki-moon recomenda que a troika formada por Irã, Egito e Venezuela, proposta por Teerã, trabalhe em cooperação com outros organizações internacionais.

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, também falou nesta quinta-feira e reiterou o direito de seu país a energia nuclear. O Irã, que assume a presidência dos Não Alinhados nos próximos 3 anos, quer provar com essa cúpula o fracasso da estratégia americana para isolar o país internacionalmente.

Teerã quer aproveitar o evento para relançar as discussões sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Delegações de quase 120 países estão em Teerã. Também participam do encontro representantes de 17 governos que participam do movimento dos Não Aliados como observadores, entre eles, o Brasil. O governo brasileiro será representado pela número dois da missão na ONU, embaixadora Regina Maria Cordeiro Dunlop.

Conselho de Segurança da ONU

A pedido da França, o Conselho de Segurança da ONU faz uma nova reunião nesta quinta-feira para tratar da ajuda humanitária aos civis na Síria e a criação de uma zona tampão para proteger os mais de 200 mil refugiados do conflito. Nenhum avanço concreto é esperado dessa reunião. Desde que o governo turco fechou temporariamente sua fronteira com a Síria, a situação dos refugiados que se encontram numa área desocupada entre os dois países tornou-se dramática.

Porém, em entrevista concedida ontem à televisão síria, o presidente Bashar al-Assad rejeitou a ideia de uma zona tampão. Sem mostrar sinais de fraqueza, Assad disse que vai vencer os rebeldes - "é só uma questão de tempo". O ditador sírio ainda culpou a Turquia "por deixar passar armas pela fronteira entre os dois países".

Os rebeldes sírios dizem ter abatido um avião de caça do regime na manhã desta quinta-feira, que sobreava a província de Idlib, próxima da fronteira com a Turquia.
 

tags: Ban Ki-moon - Conselho de Segurança - Mahmoud Ahmadinejad - Mohammed Mursi - ONU - República Islâmica do Irã - Síria
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