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Artigo publicado em 05 de Setembro de 2012 - Atualizado em 05 de Setembro de 2012

Testemunhos reforçam tese de execução de mineiros por policiais

Mineiros sul-africanos durante manifestação em Marikana, no nordeste da África do Sul, nesta quarta-feira-feira.
Mineiros sul-africanos durante manifestação em Marikana, no nordeste da África do Sul, nesta quarta-feira-feira.
REUTERS/Siphiwe Sibeko

Dois novos testemunhos publicados pela imprensa sul-africana nesta quarta-feira reforçam a tese de que vários mineiros em greve foram executados sumariamente ou com tiros à queima roupa pela polícia na mina de Marikana, no norte do país, em 16 de agosto.

“Havia um sotho ( etnia sul-africana) que vi de joelhos perto de uma rocha com as mãos para cima. Ele suplicava insistentemente para que poupassem sua vida porque ele não sabia de nada”, disse ao jornal Star um dos mineiros detidos e liberados segunda-feira pela polícia. Segundo Lungisile Lutshetu, os soldados metralharam friamente com uma arma automática o homem que ficou com o corpo perfurado.

Em seu depoimento, Lungilise explicou como a polícia agiu para impedir a fuga dos mineiros. “Corremos para subir a colina e encontrei um esconderijo entre as pedras mas a polícia estava em toda a parte. Os que estavam na minha frente foram alvejados e caíram na minha frente, e foi assim que eu consegui salar minha vida”, disse.

Lungisile viu 15 mineiros mortos ou feridos, alguns com marcas de tiros na cabeça. Ele foi retirado de um monte de cadáveres e de feridos quando a polícia percebeu que estava vivo.

“Ficamos cerca de três horas deitados de frente para o chão. Os que ousaram levantar as mãos foram mortos”, disse Lungilise convencido de que teve a vida salva com a chegada das equipes de socorro que convenceram os policiais a parar de atirar.

O jornal também ouviu o testemunho de um outro sobrevivente, Johannes Mashabela, contratado em julho e que disse ter ouvido a ordem dada para executá-lo. Ele fugiu rastejando.

“Não havia meios de fugir por causa dos cordões de isolamento da polícia em volta da gente e nesse momento eu me juntei ao grupo que corria para o campo. De repente vi pessoas caindo ao meu lado e percebi que eles estavam atirando”, afirmou.

Os testemunhos de Mashabela e Lungisile reforçam as acusações do fotojornalista Greg Marinovich que afirmou na semana passada que a maioria das vítimas de Marikana foi executada a sangue frio pela polícia. Marinovich passou 15 dias no local.

A única versão oficial afirma que os policiais abriram fogo em legítima defesa diante da multidão de mineiros armados com machados e algumas armas de fogo que os atacavam.

O conflito do dia 16 de agosto deixou 34 mortos e 78 feridos próxima à mina de platina explorada pelo grupo Lonmin onde uma greve ilegal já havia desencadeado confrontos violentos que deixaram 10 mortos, dias antes. A polícia e a corregedoria das polícias sul-africanas se recusaram a fazer qualquer comentário. O presidente Jacob Zuma encarregou a uma comissão de investigação esclarecer as causas da violência.
 

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