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Artigo publicado em 28 de Setembro de 2012 - Atualizado em 28 de Setembro de 2012

Bo Xilai é expulso do partido comunista e será julgado por corrupção

O ex-dirigente chinês Bo Xilai, em foto de março de 2010.
O ex-dirigente chinês Bo Xilai, em foto de março de 2010.
Reuters

RFI

O dirigente Bo Xilai foi expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) e deverá comparecer diante da Justiça, acusado de "corrupção maciça" e de ter mantido relações sexuais "impróprias" com várias mulheres. A agência de notícias China Nova também anunciou nesta sexta-feira a data de abertura do 18° congresso do PCC, no dia 8 de novembro, quando será escolhido o novo líder do país.

Até há pouco tempo considerado uma estrela em ascensão no partido comunista, Bo Xilai é o protagonista do maior escândalo da política chinesa dos últimos anos. Ex-prefeito e chefe do partido em Chongqing, uma imensa metrópole de 33 milhões de habitantes do sudoeste da China, ele está detido desde abril, quando foi suspendido de suas funções.

A questão de seu comparecimento diante da Justiça dividia até agora a alta hierarquia chinesa, impedindo que o partido marcasse a data de seu congresso. Para ser julgado por um tribunal comum e não pela jurisdição interna do partido, uma autoridade do PCC deve ser previamente expulso.

Segundo a agência China Nova, Bo Xilai é acusdo de corrupção "maciça", de ter mantido relações sexuais "impróprias" com várias mulheres, de ter "cometidos erros graves e abusado de seu poder no caso do homicídio voluntário envolvendo seu assessor Wang Lijun e sua esposa Gu Kailai".

A esposa de Bo Xilai foi condenada à morte com suspensão da pena, o equivalente à prisão perpétua, em agosto pelo assassinato por envenenamento de um homem de negócios britânico, Neil Heywood. Implicado, Wang Lijun, o chefe de polícia de Chongqing, braço direito de Bo Xilai, foi condenado a 15 anos de prisão na última segunda-feira, principalmente por ter pedido asilo político no consulado americano de Chengdu (sudoeste).

O anúncio simultâneo da expulsão de Bo Xilai, de seu processo e da data do congresso do PCC em novembro - em vez de outubro, segundo a tradição -, indica que um consenso foi obtido entre os integrantes da direção comunista em relação ao evento, que deve renovar e rejuvenescer a equipe dirigente da segunda potência econômica mundial.

A não ser que haja uma reviravolta de último minuto, o vice-presidente Xi Jinping, de 59 anos, deve substituir o presidente Hu Jintao, atual secretário-geral do partido, que ocupa o cargo há dez anos. Ele vai completar 70 anos em dezembro. Já o atual chefe do governo, Wen Jiabao, deve ceder seu lugar ao vice-primeiro-ministro Li Keqiang.

Pela primeira vez, esse evento político de alta importância, previsto todos os cinco anos, vai acontecer na era das redes sociais, que permitiram, via Internet, o aparecimento de uma opinião pública nesse regime de partido único, apesar do exército de censores.

Com seus 82 milhões de membros, o Partido Comunista Chinês, que ainda reivindica a herança marxista-leninista, também está à frente de um gigantesco império econômico, com empresas públicas que constituem o esqueleto de um poderoso capitalismo de Estado.

Ascensão e queda

Com uma personalidade exuberante, ao contrário dos políticos chineses da sua geração, Bo Xilai aspirava às mais altas funções dentro do partido comunista. Sua carreira chegou a um final abrupto há alguns meses, quando seu ex-braço-direito, Wang Lijun, chefe da polícia da cidade, pediu asilo político no consulado americano de Chengdu (sudoeste), revelando o assassinato do homem de negócios britânico Neil Heywood.

Muito carismático, Bo Xilai ganhou inimigos com a sua cruzada contra a corrupção, acompanhada por milhares de prisões e de processos antimafia. Ele também desagradou muita gente ao tentar reviver em Chongqing o ideal revolucionário de Mao Tse Tung, promovendo slogans e " cantos vermelhos" patrióticos.

Atualmente detido em local ignorado, Bo Xilai já havia sido suspenso do escritório político do partido em abril. Aos 63 anos, esse homem ambicioso, que durante muito tempo foi o queridinho da mídia chinesa, teve sua carreira brutalmente interrompida pouco antes do 18° congresso do partido, durante o qual ele esperara entrar para o mais importante círculo do poder, o comitê permanente do escritório político.

tags: Assassinato - China - Corrupção - Escândalo - Partido Comunista Chinês - Política
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