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Artigo publicado em 03 de Outubro de 2012 - Atualizado em 03 de Outubro de 2012

Kadafi era um "predador sexual", revela livro de jornalista francesa

Foto: Reprodução

RFI

A repórter Annick Cojean, do jornal Le Monde, revela em seu novo livro como o ex-ditador líbio violentou e torturou centenas de mulheres, resultado de uma investigação que teve início após a morte do tirano. A jornalista se encontrou com mulheres que foram durante anos vítimas do regime.

No livro "Les Proies - dans le harem de Kadhafi" ("As presas - no harém de Kadafi"), lançado no final de setembro na França, a jornalista descreve o sistema instaurado pelo ditador, viciado em sexo, que durante 42 anos esteve no comando da Líbia. As presas em questão são garotas sequestradas em casa ou nas escolas, que faziam parte do harém do tirano. Muitas delas faziam parte da guarda feminina de Kadafi, que durante anos o acompanharam nas suas viagens ao exterior, inclusive à França, durante o governo Sarkozy. Além disso, o líder líbio possuía 'olheiros', entre eles, uma assistente conhecida como Mabrouka. Braço direito do líder nas reuniões de Cúpula, e muito bem relacionada segundo a jornalista, Mabrouka recrutava meninas e meninos que pudessem interessar ao líder, e esteve inclusive em Paris.

Sequestrada aos 15 anos
 

Durante sua investigação, Annick Cojean também se encontrou com Soraya, uma jovem de 22 anos que contou sua história como refém do líder. A jornalista diz que, mesmo se algumas questões surgiram em torno da veracidade do depoimento, os detalhes do testemunho mostram que não se trata de um drama fantasiado pela garota. Soraya, escolhida por Kadafi aos 15 anos, foi sequestrada e tornou-se sua escrava sexual. Estuprada dia e noite, e vigiada pelas amazonas que rodeavam o líder, ela não tinha como escapar do seu cativeiro. Também não tinha o apoio de sua família, já que havia perdido a "honra", ao ser estuprada, e poderia ser assassinada pelos irmãos.

A partir dessa história, a jornalista descobriu um sistema perverso, formado por centenas de funcionários do ditador, que consistia a satisfazer sua obsessão pelo sexo. Um sistema, aliás, que em parte era conhecido pelos líderes de outros países. A comunidade internacional, desta maneira, teria feito vista grossa aos abusos cometidos pelo ditador. Segundo a jornalista, mesmo que seja difícil estabelecer um número, milhares de mulheres foram vítimas de seus caprichos libidinosos. Kadafi designava suas presas, geralmente com idade entre 13 e 14 anos, colocando a mão sobre suas cabeças. O ex-ditador chegava a assistir vídeos de casamento para escolher suas futuras vítimas.

Kadafi, um predador sexual

Kadafi era um verdadeiro "predador", nas palavras da jornalista. Narcisista e megalomaníaco, ele utilizava o sexo como uma "arma para continuar no poder", e obrigava até mesmo alguns militares e ministros a ter relações sexuais com ele. Além disso, o estupro era uma prática estimulada no exército, e Kadafi chegava a distribuir Viagra nos quartéis. Em breve, o livro da jornalista será traduzido na Líbia, e sua expectativa é de que essas mulheres, tratadas mais como párias do que vítimas, possam ter uma chance, mesmo que mínima, de construir uma nova vida.

 

tags: Guerra - Líbia - Mouammar Kadhafi
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