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Artigo publicado em 13 de Outubro de 2012 - Atualizado em 13 de Outubro de 2012

Turquia defende reforma do Conselho de Segurança da ONU para ação na Síria

O primeiro-ministro turco  Recep Tayyp Erdogan
O primeiro-ministro turco Recep Tayyp Erdogan
Foto: Reuters

RFI

O primeiro-ministro turco Recep Tayyp Erdogan fez um apelo neste sábado para uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, levando em conta o crescimento de países como o Brasil, por exemplo. O objetivo de desbloquear as decisões sobre a crise na Síria, que enfrentam os vetos da Rússia e da China, aliadas do regime de Bachar al-Assad.

Durante uma entrevista coletiva em Istambul neste sábado, o premiê turco pediu a criação de zonas de exclusão aérea na Síria para proteger os civis, como aconteceu na Líbia, em 2011. Erdogan disse que o Conselho estava repetindo os mesmos erros cometidos nos anos 90, na guerra dos Balcãs, que resultaram no massacre de Srebrenica em 95, onde morreram 8 mil muçulmanos.

O premiê também questionou se era preciso aguardar dois membros do Conselho de Segurança para tomar medidas urgentes em relação à Síria, já que ‘’o destino do país estava em perigo.’’ A Rússia, tradicional aliada de Damasco, vem denunciando com frequência a política ocidental, e, como membro permanente do Conselho, bloqueou até agora todas as resoluções contra o regime. No dia 4 de outubro, por exemplo, os russos se opuseram a um documento condenando a Síria por um bombardeio em território turco que deixou 5 mortos.

No total, a Rússia e a China já usaram seu poder de veto em três projetos de resolução. ‘’É preciso mudar a estrutura das instituições internacionais, começando pelo Conselho de Segurança da ONU’’, afirmou Erdogan, pedindo a criação de uma representação ‘’mais ampla, justa e eficaz.’’ Segundo ele, o Conselho, incapaz de colocar em prática uma política eficiente em relação à Síria, está perdendo sua legitimidade. A Turquia defende o movimento de contestação na Síria, que teve início em março de 2011, e exige a saída do presidente sírio, Bachar al-Assad.

O premiê turco lembrou que a reforma do Conselho de Segurança da ONU deve levar em conta as mudanças no equilíbrio do poder mundial e o crescimento da influência de países como a própria Turquia, o Brasil, a Índia e a Indonésia, reconhecendo o fato de que o “Ocidente não é mais o centro do mundo.”

Mediador para a Síria chega ao Iraque

O mediador internacional para a Síria Lakhdar Brahimi, que faz atualmente um giro na região em busca de apoio para encontrar uma saída para o conflito na Síria, estará nesta segunda-feira em Bagdá, onde deve se reunir com o premiê iraquiano Nouri al-Maliki, indicou seu porta-voz neste sábado, Ali Moussaoui. “O Iraque apoia o esforço de Lakhdar Brahimi em busca de uma solução, e nós trabalharemos juntos para que sua missão seja bem-sucedida’’, declarou. O Iraque, por enquanto, não pediu publicamente a saída de Bachar al-Assad.

O mediador para a Síria também deve encontrar neste sábado o chefe da diplomacia turca, Ahmet Davutoglu, e em breve viajar a Damasco. No domingo, ele também será a Teerã, onde se encontra com o ministro das relações exteriores Ali Akbar Salehi. Na quarta-feira, a Turquia interceptou um avião sírio da linha Moscou-Damasco, que, segundo o governo turco, transportava munições para o Ministério da Defesa Sírio. Depois do incidente, as autoridades sírias propuseram a criação de um comitê de segurança com a Turquia para fiscalizar as fronteiras.
 

tags: Bashar al-Assad - Brasil - Conflito - Damasco - Guerra civil - ONU - Síria - Turquia
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