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Artigo publicado em 25 de Outubro de 2012 - Atualizado em 25 de Outubro de 2012

Comissão da ONU quer ir à Síria investigar crimes contra a humanidade

A juíza Carla Del Ponte ao lado do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro nesta quinta-feira, em Genebra
A juíza Carla Del Ponte ao lado do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro nesta quinta-feira, em Genebra
REUTERS/Denis Balibouse

RFI

Os especialistas da ONU encarregados de investigar as violações dos direitos humanos na Síria concederam nesta quinta-feira uma coletiva à imprensa, em Genebra. Entre eles, a veterana juíza suíça Carla Del Ponte, recentemente nomeada para integrar a Comissão de Inquérito da ONU, presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. O regime sírio prometeu dar hoje uma resposta oficial sobre a trégua durante o feriado religioso de Eid al-Adha, proposta pelo emissário da ONU.

A Comissão de Inquérito da ONU sobre a violação dos Direitos Humanos na Síria quer se reunir com Bashar al-Assad. O brasileiro Paulo Pinheiro, que dirige a comissão, informou hoje em Genebra que eles enviaram uma carta ao presidente sírio pedindo um encontro, em Damasco. Os 4 integrantes da comissão reuniram uma serie de provas e testemunhos sobre a violência cometida desde março de 2011 pela forças leais ao regime e pelos rebeldes.

Eles estimam que os crimes cometidos no país são crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A afirmação foi feita durante a coletiva à imprensa pela juíza suíça Carla Del Ponte que fez uma comparação com outros países condenados por crimes de guerra e contra humanidade. "É essencial continuar a investigação para determinar os altos responsáveis políticos e militares desses crimes", disse Carla Del Ponte.

A comissão da ONU para a Síria foi criada em agosto de 2011, mas a veterana Carla Del Ponte que chefiou o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iuguslávia só foi nomeada para integrar o grupo no último dia 28 de setembro. Esta foi a primeira vez que ela falou à imprensa sobre seu novo cargo.

Os confrontos na Síria e a repressão do regime aos rebeldes provocaram a morte de mais de 35 mil pessoas, principalmente civis, desde o início da rebelião. A Comissão da ONU sobre as violações dos Direitos Humanos na Síria nunca foi autorizada a ir ao país.

Cessar-fogo

O Conselho de Segurança da ONU manifestou apoio à iniciativa do mediador internacional para Síria, Lakhdar Brahimi, de uma trégua entre o regime e os opositores de Bashar al-Assad, durante a festa muçulmana de Eid alAdha, que começa amanhã e dura até segunda-feira. Brahimi disse ter obtido acordo entre as duas partes em conflito, mas poucos acreditam que a trégua será respeitada.

O regime sírio prometeu dar hoje uma resposta oficial à iniciativa do emissário da ONU. Para o presidente do Observatório Sírio de Defesa dos Direitos Humanos, Rami Abdel Tahmane, Damasco só deve aceitar uma pausa nos combates como estratégia para as forças do regime ganhar tempo e se rearmarem.

Moradores de cidades como Aleppo disseram que não vão celebrar a data este ano porque tem medo de morrerem. Há poucos indícios de uma disposição de cessar fogo, mesmo temporário. Ontem, 8 pessoas morreram em um novo atentado com carro bomba em Damasco. Segundo uma ONG síria, 142 pessoas morreram por todo o país na quarta-feira.

tags: Bashar al-Assad - Conflito armado - Direitos Humanos - Genebra - ONU - Rebeldes - Síria
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